EDITORIAL » Investimento é fundamental

Publicação: 29/12/2017 03:00

O consumo das famílias vem liderando a retomada do crescimento e, com certeza, é um fato a ser comemorado, sobretudo se levarmos em conta o longo e profundo período de recessão no qual o país ficou mergulhado. Mas é preciso que também os investimentos produtivos retornem ao terreno positivo.

De nada vai adiantar a demanda dos lares crescer se, mais à frente, não houver bens e serviços a serem adquiridos. Oferta menor significa pressão sobre os preços. Mais inflação exige juros maiores. Juros em alta derrubam a atividade. O final do filme todos sabem: menos crescimento, mais desemprego e, muito provavelmente, recessão.

Infelizmente, esse ciclo terrível tem se repetido com frequência. Basta o país crescer um pouco mais forte para que a inflação volte a arreganhar os dentes. Para não deixar a situação degringolar, o Banco Central é obrigado a acionar seu instrumento mais eficiente: os juros. Assim, a expectativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB), de mais emprego, de melhora na renda, se transforma em frustração.

Agora, dizem economistas, o quadro parece ser diferente. Há uma política econômica responsável em curso, a inflação dá sinais de que permanecerá controlada por um longo período e os juros tendem a se manter nos níveis mais baixos da história. Contudo, para que esse quadro benigno se confirme, é vital que os investimentos produtivos voltem.

Os investimentos privados se tornam essenciais porque o governo, depois de um longo período de gastança, está sem condições de tocar projetos importantes. Para driblar as amarras impostas por um Orçamento apertado, vem transferindo empreendimentos à iniciativa privada. Aeroportos, poços de petróleo, portos, rodovias, geradoras e linhas de transmissão de energia elétrica. Tudo está sendo concedido ou privatizado.

É muito importante que governo, Congresso e Judiciário acertem os ponteiros para tornar o ano de 2018 menos nebuloso e mais amigável aos negócios. Teremos eleições no meio do caminho e há muitas dúvidas sobre o que poderá ser o pleito diante do risco de a disputa parar nos tribunais. Também há muitos questionamentos em relação ao ajuste fiscal. Sem a aprovação da reforma da Previdência, não há como se falar em ajuste das contas públicas.

Até agora, as famílias estão fazendo a sua parte. Com a inflação em queda e a redução do desemprego, foram às compras e a recessão ficou para trás. Mas é preciso muito mais. Há todo um país a ser reconstruído. Portanto, mãos à obra.

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