EDITORIAL » Dois blocos na disputa pelo poder em 2018

Publicação: 23/12/2017 03:00

A cada dia que passa mais se cristaliza a impressão de que nas eleições de 2018 os palanques se dividirão em dois blocos na disputa do protagonismo eleitoral: um que estará ligado ao governo do presidente Michel Temer (por ter votado nas propostas do governo, por ter apoiado a linha seguida pelo governo, por ter feito parte do governo), e o outro bloco que será o oposto desse, de contestação aos pontos essenciais da atual administração, como algumas das reformas.

Alguns setores prefeririam que houvesse aí uma zona cinzenta, em que a trajetória pessoal de cada um, na sua área específica, é que estaria mais em evidência. A movimentação do presidente Temer, no entanto, investe na formação do bloco governista, o que consequentemente gera o bloco antagonista – e quanto mais consistente seja esta movimentação, menores as chances de zona cinzenta. Ao presidente interessa que quem participou do governo leve para o palanque a defesa do governo. Durante café da manhã com jornalistas, ontem, no Palácio do Planalto, Temer disse que hoje sua popularidade é baixa em virtude do fato de que as pessoas têm vergonha de afirmar que aprovam o governo – mesmo quando estão de acordo com as medidas postas em prática pela gestão. Esta “vergonha”, segundo ele, seria decorrente “da irresponsabilidade de setores privados e de uma figura do setor público”, referência ao ex-procurador da República Rodrigo Janot, que apresentou denúncias contra ele. “Essa questão da corrupção prejudicou muito o governo. E prejudica muito a popularidade”, afirmou o presidente. “Uma pesquisa que eu pedi em particular revela que as pessoas têm vergonha de dizer, embora na verdade aprovem o governo e o que o governo está fazendo, elas têm um certo pudor. ‘Poxa, um governo corrupto, a classe política etc’. Cai a popularidade, não tenha dúvida”.

Popularidade em baixa afasta apoio de políticos em época de eleição - homem habituado a eleições, o presidente sabe disso muito bem. São recorrentes os exemplos de eleições em que os candidatos evitam mostrar em suas campanhas aliados que naquele momento estão em situação desfavorável perante a opinião pública. O presidente, porém, demonstra convicção de que ao chegarmos ao pleito de 2018 o seu governo estará melhor avaliado, e contará com “eleitores substanciosos”. Ele disse aos jornalistas que espera aprovar a reforma da Previdência, em fevereiro, e depois partirá para fazer a simplificação tributária, encerrando o que chama de ciclo das reformas. Na sua opinião, no próximo ano a população irá escolher para presidente em “algu ém moderado”, e não em “extremistas”.

Todas as movimentações em curso, dos diversos palanques,, convergem no sentido da formação dos dois grandes blocos, com rebatimento na maioria das disputas estaduais. O futuro sempre pode divergir de nossas projeções, mas, na perspectiva de hoje, o espaço para uma zona cinzenta, ou uma terceira via, ou o nome que se queira dar, parece condenado a uma faixa estreita.

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