É preciso regular o Facebook

Múcio Aguiar, MSc *
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Publicação: 05/12/2017 03:00

A afirmação foi publicada no The New York Times em 25 de novembro último, em artigo de Sandy Parakilas, que trabalhou como gerente de Operações naquela empresa, entre 2011 e 2012 e aponta como um dos principais motivos da necessidade de uma regulação externa, o fato do Facebook desenvolver uma plataforma que prioriza a coleta de dados dos usuários, em vez de protegê-los de abuso. Em determinado período o site hospedou um ecossistema próspero de jogos sociais populares, como o Farmville e Candy Crush, que para ter acesso os usuários concordaram em dar aos desenvolvedores de jogos acesso aos seus dados em troca do uso gratuito.

O controle de nossos dados pessoais naquela rede é visível quando abrimos nossos perfis e vemos anúncios que já indicam o que gostamos, onde estamos, quem são nossos amigos e quais são nossos interesses, se temos ou não um relacionamento, quais páginas da Internet acessamos. Esses dados permitem que os anunciantes abordem mais de um bilhão de pessoas que acessam o Facebook diariamente. Não surpreendentemente, a empresa atingiu o tamanho de 500 milhões de dólares nos cinco anos desde sua primeira oferta pública, e fez do Facebook o maior país do mundo, com uma comunidade de 2 bilhões de usuários mensais ao redor do mundo, sendo 99 milhões o número de brasileiros ativos por mês na rede de Mark Zuckerberg.

Voltando ao artigo, a autora lembrou a interferência russa na eleição presidencial norte americana, de 2016. Com ação estratégica, os russos utilizaram o Facebook, onde seu conteúdo atingiu pelo menos 126 milhões de americanos, influenciando fortemente o resultado das eleições que elegeu Trump e mudaram o rumo da maior potência do mundo. Em outubro, a diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, mencionou em uma entrevista à Axios que uma das maneiras pelas quais a empresa descobriu os anúncios de propaganda russa era identificar que tinha sido comprado em rublos.

Por ser a maior rede de relacionamento do planeta é necessário o Facebook, e ao concordar com a regulação aponto para outro tema, o futuro do jornalismo digital, pois diante da facilidade de qualquer um publicar notícias ou as chamadas Fake News, é ainda mais urgente o restabelecer da regulamentação da profissão de jornalista, pois a não regulamentação priva o leitor de obter a segurança de um profissional, o que fragiliza a democracia..

* Presidente da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP), conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e doutorando pela Universidade de Coimbra

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