EDITORIAL » De volta ao crescimento

Publicação: 04/12/2017 09:00

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), pelo terceiro trimestre consecutivo — avanço de 0,1% de julho a setembro —, é mais um elemento que carimba como positiva a política econômica traçada pela equipe do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda. Se excluída a agricultura, que teve uma queda devido à sazonalidade da produção, o PIB do trimestre encerrado em setembro aumentou 1,1%.

Nos primeiros nove meses deste ano, o país cresceu 0,6%, um percentual superior à projeção dos especialistas para 2017. Nesse compasso, o país deverá se despedir deste ano com um crescimento de até 1,1%, na avaliação do ministro Meirelles. Ele prevê para 2018 uma expansão da economia de até 3% ou um pouco mais.

Entre os setores que contribuíram para esse resultado, o destaque fica com a indústria. De julho a setembro, o desempenho da produção industrial teve alta de 0,8%. O segmento de transformação cresceu 1,4%. Ou seja, o aumento da produção acompanhou a redução do desemprego, que devolveu às famílias poder de consumo, e evitou que faltasse mercadorias no varejo, o que poderia interromper a queda da inflação, em caso de maior procura e menor oferta.

Com a inflação sob controle, estão dadas as condições para o Banco Central continuar reduzindo a taxa de juros, hoje fixada em 7,5% ao ano. A próxima reunião ocorrerá na semana que vem. A expectativa dos especialistas e do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) imponha mais uma queda à Selic, consoante com a política de afrouxamento monetário.

Confirmada a tendência, o crédito fica mais barato e estimula a sua procura pelos empresários, abrindo campo para novos investimentos, ou desenvolvimento de projetos até então em compasso de espera.

Em queda desde 2013, os investimentos tiveram alta de 1,6%. Isso mostra que as empresas estão reagindo, positivamente, à política econômica em curso, após mais de três anos de recessão, que levou 14 milhões de trabalhadores às filas em busca de uma oportunidade. Hoje, 12,7 milhões ainda estão desocupados. A informalidade deu contribuição importante para aplacar a chaga do desemprego. Mas, aos poucos, os trabalhadores estão conseguindo voltar ao mercado formal, que oferece vagas de melhor qualidade.

Embora os indicadores de recuperação econômica não sejam tão vibrantes como o país gostaria, as soluções encontradas têm guindado o Brasil para fora do poço em que mergulhou a partir de 2014. A fim de que a atual escalada se mantenha e ganhe ritmo mais acelerado, há necessidade de o Congresso Nacional avançar com as reformas, tanto a da Previdência quanto a tributária. Os conflitos de interesse entre partidos e a aproximação do ano eleitoral não podem contaminar a política econômica, criar um clima de insegurança que retraia os avanços conquistados neste ano. Ao contrário. As mudanças são necessárias para consolidar essa via que está conduzindo o país à estabilidade tão necessária para que a economia volte a crescer.

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