#PartiuTitoLívio

Ítalo Rocha Leitão
Jornalista

Publicação: 29/11/2017 03:00

O cantor e compositor Tito Lívio lutou bravamente contra a morte na madrugada do dia 23 de novembro. Abriu as janelas e portas da sua casa, em Olinda, na tentativa de respirar melhor. Bebeu água. Deu um grito de socorro. Ao final, deitou-se na rede e esperou o coração dar a última batida. Já que ninguém ouviu seus murmúrios, adormeceu antes de seguir rumo à última morada.

Na manhã do dia seguinte, seu corpo chegou ao salão nobre do Palácio dos Governadores, sede da Prefeitura de Olinda. Tudo organizado pelo prefeito Lupércio, o vice Márcio Botelho e o secretário de Cultura da cidade, Gilberto Sobral.  Os blogs, os portais, os jornais, as rádios e as TVs deram a Tito Lívio o destaque merecido.

O governador Paulo Câmara divulgou nota de solidariedade ao meio musical e à família. E destacou um carinho especial ao frisar que tivera a “honra de conhecer Tito Lívio pessoalmente”. O prefeito do Recife, Geraldo Julio, também lamentou a morte súbita do artista e disse que a vida e a obra de Tito Lívio se entrelaçam com o carnaval e a história cultural de Pernambuco. No velório, a filha Lara Lívia, ex-mulheres, ex-namoradas, cantores, políticos, dirigentes culturais, jornalistas, intelectuais e toda a moçada cabeça de Olinda.

As honras de “Chefe de Estado” não pararam por aí. O vice-governador Raul Henry também foi a público lamentar a morte do amigo. O Galo da Madrugada divulgou nota de pesar também. Alceu Valença escreveu um belíssimo texto falando do amigo e parceiro e deu detalhes de como o convidou para ser ator no seu filme A luneta do tempo.  Às três da tarde, um caminhão dos Bombeiros, com as sirenes ligadas no mais alto volume,  desceu pelas ladeiras históricas de Olinda em direção ao cemitério de Santo Amaro, área central do Recife. Em cima, estava o  caixão  com o corpo do ilustre personagem  da cultura pernambucana. Tito Lívio tinha 60 anos, uma idade jovial pra se morrer. Alma de artista, era desapegado a bens materiais. Morreu pobre, mas cheio de amigos. Sua inspiração para compor era eclética. Passeou pelo frevo, samba, forró, baião, reggae, blues e rock-pop. Deixou quatro CDs gravados.

Ao som de Desengano, parceria dele com Lula Côrtes e gravada também por Zeca Baleiro, pouco antes das cinco da tarde Tito Lívio desceu à sepultura. Em seguida, seu estrondoso sucesso, parceria com Rodolfo Aureliano e levado pra todo o país na voz de Alceu Valença e Elba Ramalho, saiu também da garganta dos amigos e familiares que estavam naquela tarde melancólica de sexta-feira e ecoou por covas e sepulturas de Santo Amaro. A poucos metros das notas musicais de Arreio de prata estavam Chico Science e Carlos Fernando. Presume-se que tenham aberto um sorriso magro.

E assim partiu pra eternidade o General Tito, montado no seu “cavalo dos arreios prateados”.

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