Marcante presença poética de José Mário Rodrigues

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 21/11/2017 03:00

Desde a década de 60 do século XX, José Mário Rodrigues tem presença permanente na literatura pernambucana e, por extensão, brasileira, com sua poesia, sutil, simples e leve, às vezes imagética, às vezes discursiva, mas com uma marca definitiva: a revelação do sensível, com enorme talento para o agradável, que demonstra, aliás, uma forte influência de Pablo Neruda, vindo daí a ligação política. Tudo por causa da leitura sistemática de 20 poemas de amor e uma canção desesperada, o clássico de Neruda.
O que na verdade quero saudar é o livro O Voo da Eterna Brevidade, que José Mário lançou há dias, com novos e velhos poemas, revelando a sua constante preocupação com o tempo, tema reiterativo na sua obra construída com paciência e cuidado, ao longo desses 50 anos, disciplinadamente, elaboradamente.
No início da carreira, o poeta natural de Flores – cidade sertaneja de Pernambuco – formou um trio com Tarcísio Meira César – autor de Poemas da Terra Estranha, Editora Leitura, Rio de Janeiro – e Sérgio Moacir de Albuquerque – Murais da Morte – Editora Universitária, que antecedeu a obra ficcional, ainda por vir, a que ele parecia destinado – numa linhagem política, que não se concretizou mais tarde. Zé mostrou maior intimidade com o poema romântico, às vezes lírico, intimista, que agora pode ser constatado no livro O Voo da Eterna Brevidade.
Este grupo, nascido nos salões da casa da Rua Gervásio Pires, onde uma geração inteira se reunia para comes e bebes, em meio a gritos de guerras e a canções desesperadas, entre soluços e risadas, além de contestações à ditadura, para angústia do sociólogo dono da casa, preocupado sempre em agradar o regime militar e a tudo mais.
José Mário publicava os seus primeiros poemas quase sempre no suplemento literário do Jornal do Commercio porque era ligado a Esmaragdo Marroquim, editor, e aos artistas plásticos Ladjane Bandeira, Zuleno e José Cláudio.
Naquele período, a literatura pernambucana contava com dois ótimos suplementos literários do JC e do Diario de Pernambuco, este dirigido por Cesar Leal e Marcus Antônio do Prado, com destaque para a Geração 65, ainda difusa. César Leal sempre defendeu a ideia de que todos pertenciam à Geração que, por isso mesmo, não tinha um projeto estético.

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