Desafios e caminhos para a inovação no Brasil - um bom exemplo

Sergio Leão
Diretor de Sustentabilidade da Odebrecht S.A, Ph.D. pela Universidade da Califórnia

Publicação: 21/11/2017 03:00

Quando observamos a velocidade das transformações trazidas pelas inovações no ambiente de negócios e empresas a partir da crise econômica de 2008, nos deparamos com enormes desafios para nos integrarmos ao conjunto de países que deram a largada para a 4ª. revolução industrial. Já se posicionam com metas para os próximos 30 anos países como os EUA, Alemanha, Japão, China, Reino Unido e o conjunto da União Europeia.
Enquanto acompanhamos essa corrida para a liderança das novas tecnologias, vemos em nosso país a previsão de profundos cortes nos orçamentos de ciência e tecnologia que ameaçam nosso futuro, como alertaram 23 ganhadores do Prêmio Nobel em carta ao presidente Temer. Diante desse cenário, cresce a importância do engajamento entre empresas com a comunidade acadêmica para um caminho de oportunidades.
A 9ª edição do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável veio confirmar o que enxergamos como possíveis caminhos para nossas necessidades e desafios. O prêmio incentiva graduandos de engenharia, arquitetura e agronomia a pensarem soluções para o desenvolvimento sustentável. Ao longo desses anos foram 45 projetos premiados de um total de 1300 apresentados por estudantes e professores de 260 escolas e universidades.
Os projetos apresentam ideias que, com os devidos investimentos, poderão nos auxiliar na corrida da transformação tecnológica relacionadas ao meio ambiente.
Na última edição do Prêmio (2016), estudantes da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um protótipo que usa conceitos de inteligência artificial para automação da atividade de seleção de mudas de cana de açúcar produzidas nos processos de pré-brotação, antes de serem encaminhadas para plantio. O sistema é capaz de identificar a qualidade e selecioná-la como “apta” ou “não apta”, aumentando a eficiência do plantio com melhor produtividade e redução de perdas.
Outro exemplo, na edição de 2015, veio de estudantes da Universidade Católica de Pernambuco – Unicap, que formularam um biodetergente para aplicação como dispersante de petróleo derramado em oceanos.
Em recente encontro em Nova York, em evento de reconhecimento ao trabalho desenvolvido na USP, o professor da Universidade de Colúmbia, Albert Fishlow, citou que o exemplo da seletora de mudas mostra que o Brasil tem o caminho para acompanhar a vanguarda tecnológica pela interação universidade-empresa de forma similar ao que acontece em outros países.
Recente pesquisa que realizamos com o público universitário de candidatos ao Prêmio Odebrecht de Desenvolvimento Sustentável mostrou estudantes motivados com a possibilidade de gerarem conhecimento e propostas úteis à sociedade com oportunidades na carreira. Cabe às empresas engajarem esse manancial de energia em parceria com as universidades, forjando as catapultas para os futuros empreendedores pela via da 4ª revolução industrial.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.