EDITORIAL » Para o bem geral da Nação

Publicação: 17/11/2017 03:00

O repúdio dos brasileiros aos políticos tradicionais é um perigo para o país, mas há que se compreender o tamanho dessa irritação. Dia após dia, todos são açoitados por denúncias de roubalheira de governantes, deputados, senadores, que, como diz um procurador do Ministério Público, se “empapuçam” de dinheiro público enquanto a população padece em filas de hospitais e vê a criminalidade ocupar o espaço que deveria ser do Estado. Esta semana, encurtada por um feriado, foi pródiga em esfregar na cara dos brasileiros como a corrupção chegou a limites insuportáveis. No Rio de Janeiro — talvez o estado que melhor sintetize o processo de deterioração ética pelo qual passa o país —, o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso sob a acusação de desvio de recursos públicos e de lavagem de dinheiro. Declarações de renda do deputado eleito pelo PMDB mostram que o patrimônio dele aumentou 3.368% em 20 anos. E não foi trabalhando duro.
No Mato Grosso do Sul, o ex-governador André Puccinelli, também do PMDB, passou um dia atrás das grades acusado de desviar dinheiro dos contribuintes por meio de direcionamento em licitações, superfaturamento de obras, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos. Haja crimes. Os prejuízos ao estado por tais práticas ilícitas passam de R$ 235 milhões.
Na Caixa Econômica Federal, foram cumpridos 10 mandados judiciais para apurar desvios de R$ 385 milhões. Segundo a Polícia Federal, uma organização criminosa está sendo investigada por desviar verbas por meio de contratos fechados na área de Tecnologia da Informação (TI). A quadrilha seria formada por empregados do banco e por uma empresa de que pertence a um ex-funcionário da instituição. A mesma Caixa foi alvo de várias outras operações nos últimos meses, indicando a disseminação de irregularidades nas suas entranhas.
Diante de casos como esses, fica fácil compreender o porquê de o desencanto dos eleitores com a política estar empurrando o Brasil para um caminho perigoso, em que dois candidatos, um de extrema direita, outro de extrema esquerda, lideram as pesquisas de intenção de votos. Ambos, por sinal, com discursos populistas, que afrontam o bom-senso que o país tanto precisa para sair da mais grave crise econômica da história. Crise que resultou na destruição de quase 8% das riquezas nacionais em apenas dois anos e produziu um exército de 13 milhões de desempregados.
O Brasil não merece se manter nesse mar de lamas. A população quer uma renovação da política, para que um país digno de respeito seja construído. Isso passa por uma união nacional que afaste aventureiros da disputa eleitoral e que privilegie propostas concretas para a retomada sustentada do crescimento econômico. Mais: que a ética se torne regra e não exceção. Políticos com Jorge Picciani, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, André Puccinelli, Silval Barbosa, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e tantos outros que nos vêm à mente devem ser varridos do mapa para o bem geral da Nação.

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