EDITORIAL » A negligência da vacinação para adulto

Publicação: 09/11/2017 03:00

As vacinas estão entre as grandes descobertas da medicina, juntamente com os antibióticos. Doenças graves foram erradicadas, a exemplo da varíola, e surtos de moléstias infecciosas acabaram contidos ao longo de décadas graças a campanhas massivas no Brasil e no mundo. A conscientização da imunização de crianças está consolidada, em que pese o novo movimento antivacina que ganhou corpo em alguns países, além de estatísticas indicando o reaparecimento do sarampo na Europa, com sete mil pessoas contaminadas, e em Minnesota, nos Estados Unidos, atingindo dezenas de cidadãos, alguns dos quais não-imunizados. Quando se fala de vacinação de adultos, o quadro é outro e deve-se afirmar desde então que não é justo condenar somente a população por suposta negligência.
Ontem foi divulgada uma pesquisa afirmando que a grande maioria dos brasileiros com idade acima de 18 anos, um percentual que chega na casa dos 64%, não está em dia com a vacinação. Cerca de 53% não priorizam a vacinação como uma forma eficaz de prevenção. Preferem apostar na alimentação ou em uma vida sem fumo. O pensamento de muitos, ou 29% do total, é o de que a vacinação se torna menos importante à medida que se envelhece. A maioria dos brasileiros (89%) reconhece a importância da vacinação mas um terço diz não saber bem quais as vacinas necessárias para a idade. Os dados são do laboratório farmacêutico GSK, que encomendou o levantamento.
Logo se pensa: que isenção tem o laboratório com relação aos números? Ressaltemos a questão chave que circunda o universos das vacinas. Falta informação com relação ao tema, o que leva à insegurança. Afora os casos da vacina de gripe e febre amarela, que contaram com adesão relativa, em torno de 50%, atualizações de doses de vacinas para as demais doenças são quase desconhecidas. Com raras indicações de profissionais de saúde para este encaminhamento e como não há campanhas frequentes sobre a imunização de adultos, todas com taxa de imunização abaixo de 10%, o cidadão acaba rotulado como desinformado e deixa de contar com um importante aliado para a prevenção de doenças. Talvez sequer saiba mensurar o quanto é relevante na cadeia de transmissão de doenças para pessoas mais suscetíveis à contaminação, entre eles idosos e crianças. É hora de dividir responsabilidades. Por mais vacinação e mais informação.

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