EDITORIAL » Previdência: governo "não jogou a toalha"

Publicação: 08/11/2017 03:00

A mais polêmica das reformas pretendidas pelo governo Michel Temer está no aguardo de ser posta à votação no Congresso, e são notórias as dificuldades para obter o apoio de 308 deputados, mas as articulações para sua aprovação continuam. O governo “não jogou a toalha”, disse ontem o secretário de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. Segundo ele, as próximas duas semanas serão decisivas para o andamento do projeto. Marcelo Caetano tornou-se uma espécie de porta-voz governamental para a reforma da Previdência e tem participado das reuniões oficiais para discutir a questão. Não há recuo, acredita ele, e a proposta avançará.
Também ontem a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou que a equipe econômica do governo permanece confiante em que a PEC será aprovada. Para ela, a reforma trará “efeitos positivos” para as próximas gerações, sobretudo no que diz respeito ao pagamento de benefícios.
“A reforma da Previdência é a continuação importante, fundamental, para uma espécie de fecho das reformas que nós estamos fazendo”, disse o presidente Temer, em reunião com líderes da Câmara e ministros, segunda-feira. “Continuarei me empenhando nela, vou trabalhar muito por ela”.
Em que pese a ênfase dos técnicos e do próprio presidente, já está praticamente definido que o governo tentará aprovar uma reforma menor do que a prevista inicialmente, dada a avaliação de que nas atuais condições o projeto original não passaria. Mesmo em relação a esta, porém, não há certeza de que será bem-sucedida na votação. “É uma reforma necessária, mas não tem mais tempo”, disse ontem o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), que comanda a quarta maior bancada da Câmara, com 45 deputados. Lira e o PP estão de olho nos quatro ministérios hoje ocupados pelo PSDB. Afirma ele que se Temer não fizer uma “reforma ministerial”, os projetos do governo não avançarão no Congresso. “Ou muda ( os ministérios) ou não vota mais nada aqui”, ameaçou ele.
Político familiarizado com os humores do Congresso, Temer sabe que o clima no momento não é dos melhores para a aprovação, tanto que tem dito que uma eventual derrota não “inviabilizará” o governo. “Se num determinado momento a sociedade não quer a reforma da Previdência, a mídia não quer e a combate e se o Congresso não quiser aprová-la, paciência. Eu continuarei a lutar por ela”, disse ele, no encontro com líderes e ministros. As duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o presidente consumiram esforços do governo para superá-las no Congresso, o que levou a PEC da Previdência a ficar numa espécie de lista de espera. O problema é que quanto mais o tempo passa, mais difícil fica a situação. Nas próximas duas semanas, prazo “decisivo” segundo o secretário Marcelo Caetano, o cenário ganhará mais nitidez. O governo Temer venceu todas as batalhas que travou na Câmara e no Senado. Parece agora ter encontrado o seu principal desafio: aprovar sua reforma mais desejada.

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