Homenagem ao primo e poeta Marcus Accioly

Antônio Campos
Advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicação: 06/11/2017 03:00

Foi com tristeza e emoção que soube do falecimento do primo e grande poeta Marcus Accioly. Sua obra literária está escrita na grande poesia brasileira e universal. Foi essencialmente em vida um grande poeta. Muito aprendi com ele e suas mãos foram decisivas para minha entrada na Academia Pernambucana de Letras, onde merecidamente ocupava a cadeira que um dia pertenceu a João Cabral de Melo Neto. Um grande poeta nunca morre, sua poesia continuará conosco. Cancioneiro, Nordestinados, Latinoamerica, Sísifo, Poética, Íxion, Guriatã, Narciso, Daguerreótipos, entre outros, são livros que elevaram a nossa poesia a um patamar maior.
Tive a oportunidade de conhecer uma obra inédita do poeta que é o Auto de Canudos, que vinha incentivando o mesmo a lançar. Obra de fôlego e de grande envergadura poética e importância literária. Após Euclides da Cunha e Vargas Llosa, Canudos contado e cantado em versos com mais de 500 páginas, com grandes passagens poéticas. Era um perfeccionista. Escrevia e reescrevia diversas vezes. Um artífice da palavra.
Foi sepultado em Aliança, sua terra, de um nordestinado, que amou e cantou a sua terra e a sua gente. Tinha perdido seu longevo pai não há muito tempo, com quem tinha grande ligação.
Quero lembrar de Marcus num grande encontro poético de dois grandes poetas, numa edição da Fliporto. A sua apresentação em um diálogo com o Prêmio Nobel de literatura, o poeta caribenho Derek Walcott, que também nos deixou em março de 2017. Dois grandes poetas que amavam o mar. Iremos em breve disponibilizar esse histórico encontro nas redes sociais para o merecido registro.
 É difícil se despedir daqueles que amamos e admiramos.  Poeta, descanse em paz. A sua poesia se eternizará nas gerações que virão. Receba você a homenagem dos Accioly/Campos e dê um abraço no velho Maximiano, Renato, Eduardo, seus primos, que certamente irão lhe fazer companhia em outra dimensão, nesse grande enigma e mistério que é a passagem da vida. Viva Marcus, viva a poesia!

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