Insegurança em números

Pedro Eurico de Barros e Silva
Secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco

Publicação: 04/11/2017 03:00

É um grande erro acreditar que a violência é privilégio da sociedade contemporânea. Os atos de barbárie e banditismo caminham com o homem desde os primórdios. Se manifestando, apenas, de maneira e em cenários diferentes. Validando tais afirmações, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou números assustadores da violência no Brasil.
De acordo com a pesquisa, em 2016, quase 62 mil pessoas foram mortas de forma violenta em todo o território nacional. O número de vítimas se equipara às mortes provocadas pela bomba atômica em Nagasaki, no Japão, em 1945, e deixa claro: o Brasil encontra-se em estado de guerra. O 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou, ainda, que quase todas as vítimas, 99,3%, são homens, com idade entre 12 e 29 anos (81,8%).
No nosso atual contexto social, cujas desigualdades são demasiadamente inegáveis, crianças e jovens são muito mais vítimas da violência do que propriamente autores. A nossa juventude, hoje, lamentavelmente, protagonista da violência urbana que assola o Brasil, precisa se desvencilhar da delinquência como meio de sobrevivência e saber que ainda há um caminho a ser trilhado, que existe vida fora da criminalidade.
Em Pernambuco, a valorização da vida é prioridade do governador Paulo Câmara, que trabalha incessantemente na área de segurança, com a recente contratação de1.448 novos soldados da Polícia Militar, por exemplo, mas também se antecipa ao fomentar políticas públicas capazes de combater a criminalidade no seu nascedouro.
Assim tem sido com o Programa Atitude, que oferece atenção integral aos usuários de drogas e seus familiares; com o Programa de Acesso ao Ensino Superior - PE no Campus, lançado esta semana, e que estimula estudantes da Rede Estadual de Ensino a ingressarem em universidades públicas; entre tantos outros projetos voltados à dignidade e ao respeito dos direitos fundamentais do ser humano.
É impossível negar o temor que o diagnóstico nos traz, mas o fato é que não podemos virar reféns dos números.  Certamente, esta não é uma batalha que será resolvida a curto prazo, tampouco isoladamente. Muito embora os indicadores sejam nacionalmente negativos, para vencer essa luta, um pacto de cidadania entre a sociedade e o Poder Público é crucial. Longe das querelas partidárias e na busca da massificação de uma cultura de paz que nos remeta a um futuro pacífico, para nós e para os nossos.

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