EDITORIAL » A luta de Zumbi hoje

Publicação: 04/11/2017 03:00

Novembro é um mês que marca a luta para os negros. É a celebração da consciência, inspirada no exemplo do herói Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, vitimado por uma emboscada após a traição de um companheiro. Foi em 1695 mas a resistência e o enfrentamento às diferenças raciais ainda se fazem necessários porque direitos lhes são negados, assim como oportunidades, e o preconceito racial é evidente em todos os tipos de pesquisas atuais publicadas no Brasil.
Estudos relativos às taxas de desemprego e violência de negros se destacam no universo dos números. No que diz respeito à ocupação, a raça pesa em diversos sentidos, independentemente da titulação ou grau de instrução do indivíduo, fazendo assim parte da estruturação do mercado de trabalho do país. Além de dificuldades de acesso a cargos, na maioria das vezes os negros são preteridos em funções de chefia e ganham salários mais baixos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego dos negros chega a 14,4% enquanto a dos cidadãos que se declaram brancos é de 9,5%, considerando números do quarto trimestre de 2016. A renda média dos brancos foi estimada em R$ 2.660,00. A dos trabalhadores de pele negra ficou em torno de R$ 1.461,00. Ou seja, os negros ganham aproximadamente 54% do valor mensurado para os brancos. Fala-se de milhares de pessoas que lidam com condições de desigualdade em cada uma das empresas e instituições públicas instaladas no país. E, se for mulher, o quadro ainda fica mais grave porque as mulheres fazem parte de uma outra minoria social.
São indicadores que se somam a outros com características sociais. A verdade é que os negros nunca foram de fato incluídos. Continuam liderando os piores indicadores educacionais, padecem na fila do emprego ainda mais por falta de capacitação profissional e sofrem de maneira mais bruta com a violência. Hoje, tantos séculos após a morte de Zumbi, o que se vivencia é um tipo de extermínio da população negra brasileira. De cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Em suma, a guerra do líder quilombola é mais do que atual. Que briguemos pela consciência negra deste país.

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