Revolução tecnológica e senso de urgência

Lúcia C. P. de Melo
Secretária de Ciência Tecnologia e Inovação de Pernambuco

Publicação: 03/11/2017 03:00

Vivemos o limiar de uma nova revolução tecnológica. Mudanças profundas e aceleradas são observadas nas formas de produção e de consumo de bens e serviços, no ambiente dos negócios, na oferta de serviços públicos, assim como na organização da sociedade. O impacto correspondente sobre o emprego é significativo, em especial com relação ao grau de exigência sobre as competências e habilidades das pessoas que venham a se integrar à nova força de trabalho.
Na base dessas transformações estão as tecnologias digitais e o novo universo da sua convergência com os avanços nas ciências físicas e biológicas. Os próprios processos de criação e difusão do conhecimento passam a ser alterados, como se tem observado na disseminação da Inteligência Artificial e da Internet das Coisas em segmentos tão distintos como saúde, energia, agricultura, comunicação e defesa.
Ganhos de produtividade e na capacidade de inovar guardam profunda relação com esse novo ambiente produtivo. Sejam grandes ou pequenas, empresas altamente competitivas e interconectadas em alto grau, juntamente com centros de pesquisa de excelência, determinam o novo mapa global do conhecimento e inovação. Com isso, são intensificados os riscos de exclusão e assimetrias entre as sociedades.
Estima-se que, em 20 anos, poderá chegar a cerca de 60% a fração de emprego sob forte ameaça de substituição pelas novas tecnologias em alguns países desenvolvidos, com os segmentos de mais baixa qualificação sendo os mais atingidos. Ainda, segundo relatório recente do Fórum Econômico Global, cerca de 65% das crianças que hoje iniciam sua vida escolar deverão trabalhar em empregos que, no momento, sequer existem. Também cresceram de forma exponencial o volume de negócios baseado geração e uso de dados.
Pernambuco compartilha das ameaças e oportunidades que se apresentam às regiões menos desenvolvidas. O Estado precisa se preparar para esse desafio, certificando seu ingresso na nova matriz produtiva que se avizinha e que é ancorada na 4ª revolução tecnológica. Aos novos riscos, juntam-se os já existentes em nossa sociedade e que se devem à forte heterogeneidade da estrutura produtiva, considerando o potencial inovativo das empresas e a ainda incompleta base científica e tecnológica e de infraestrutura.
Se corretas, decisões tomadas agora poderão orientar um processo virtuoso de transição, que assegure uma sociedade mais justa, com qualidade de vida para todos e mais próspera. Pernambuco está fazendo sua parte. Uma Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação (ECT&I-PE 2017-2022) foi definida para os próximos cinco anos. Ora em implementação, ela toma como referência, além do cenário de mudanças tecnológicas, o contexto econômico, territorial e a cultura de todo estado: uma estratégia localmente inspirada e globalmente conectada.
Ainda que possam ocorrer de forma mais lenta, em parte pela conjuntura econômica que ora enfrentamos, as transformações desejadas não são impossíveis. Mas são urgentes. Não podemos deixar de exercer um protagonismo ativo na direção das mudanças. Para isso, precisamos fazer germinar novos compromissos, inclusive financeiros, entre governo, empresas e academia, de modo a favorecer o pleno desenvolvimento do sistema pernambucano de inovação, fortemente identificado com a nova revolução tecnológica e no qual as pessoas possam vir a se constituir em nossa principal fonte de geração de valor.

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