EDITORIAL » Em busca da palavra que defina 2017

Publicação: 03/11/2017 03:00

Pesquisa realizada com entrevistados de todo o país constata o estado de ânimo dos brasileiros — e o resultado não é animador.  O levantamento visa escolher “A palavra do ano”, e acaba de chegar às cinco finalistas: corrupção, crise, mudança, tenso e vergonha. A vencedora do #APalavraDoAno2017, como os organizadores definiram o projeto, será conhecida no próximo dia 9.
Qualquer uma delas representa bem o ano que tivemos, marcado por investigações, denúncias e prisões. Traduz o sentimento das pessoas, mostrando que elas não estão satisfeitas com a situação e querem mudança — não à toa, uma das palavras finalistas. Em comparação com o resultado do ano passado, quando a vencedora foi “Indignação”, permite a avaliação de que há uma diferença sutil entre o ânimo de 2016 (ano de muitos protestos e do impeachment da presidente Dilma Rousseff) e o de agora (onde parece predominar a resignação e a apatia, embora isso não signifique que o brasileiro não esterja acompanhando criticamente a realidade).
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Ideia Big Data, em parceria com a consultoria CAUSE, ambos de São Paulo. Nove mil pessoas foram ouvidas. Segundo os organizadores, durante a primeira fase da pesquisa foram coletadas mais de mil palavras, mencionadas espontaneamente pelos participantes. Um júri composto de escritores definiu, a partir das 40 mais citadas,  quais seriam as cinco finalistas.
A ideia foi inspirada em modelos dos Estados Unidos e Reino Unido, onde a escolha da palavra do ano já é uma tradição. Nos EUA, o projeto fica a cargo do dicionário Merriam-Webster; e no Reino Unido, do dicionário Oxford. Lá o objetivo é eleger o vocábulo mais buscado do ano, enquanto aqui é o de encontrar a palavra que melhor traduza o cenário do país. A “Palavra do Ano” do Oxford, em 2016, foi “Pós-verdade”. O termo destacou-se tanto na disputa eleitoral americana, que teve Donald Trump como vencedor, quanto na campanha do plebiscito do Brexit, na Inglaterra. Nas  duas houve propagação de fake news nas redes sociais e demetiras ditas pelos candidatos  —  cenários em que a “pós-verdade” foi protagonista. No EUA, segundo o Merriam-Webster, foi “Surreal”.
Faltando dois meses para o final do ano, é difícil supor que aconteça algo capaz de mudar nosso sentimento em relação a 2017. Independentemente de qual seja a palavra escolhida, o fato é que quando os termos que podem definir o ano são “corrupção, crise, mudança, tenso e vergonha”,  significa que a situação no país não está boa, e precisa melhorar. Eis uma boa sugestão para a Palavra do Ano 2018: melhorar. O Brasil precisa melhorar.

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