Per a Catalunya!

Jacques Ribemboim
Economista

Publicação: 01/11/2017 03:00

A Catalunha é uma das dezessete comunidades autônomas que formam a Espanha. Tem um território menor que o da Paraíba e uma população que não excede a de Pernambuco. É terra de Salvador Dalí, Joan Miró, Gaudí e também onde viveu Picasso. Seu patrimônio histórico, cultural e natural é impressionante. No inverno, pode-se esquiar nos Pirineus e, no verão, ir à praia em uma de suas famosas calas de azul turquesa.
Barcelona é a capital, debruçada sobre o Mediterrâneo, sagrada para os arquitetos e amantes das artes. Teve grande impulso com a realização da olimpíada de verão, em 1992. De ares cosmopolita, tornou-se, de uns anos para cá, o reduto mundial de turismo gay, com uma multidão de corpos dourados desfilando em seus paseos ou aguardando no porto o próximo navio para Ibiza.
A Catalunha deseja a independência. Quer dar adeus à velha madre e partir para o mundo, com pernas próprias, falar seu idioma e compartilhar sua cultura. Sua população constitui uma das sociedades mais inclusivas e democráticas do planeta, com um povo ordeiro e ao mesmo tempo festivo, honesto, educado, que soube abolir as touradas de suas praças de esporte.
O método usado não é de guerra, não é de terror, não é de violência. Sua gente vai às ruas empunhando bandeiras estreladas, de cores intensas. Mas, eis que Madrid é contra. A Espanha quer se manter una e indivisível. O grande capital também se mostra reativo, os bancos e as corporações ameaçam evasão. Temem perder mercado, como se a proposta catalã embutisse barreiras e a Catalunha não fosse um modelo de abertura comercial e liberalismo econômico. Ela, que sempre esteve mais voltada à Europa que à Península Ibérica.
De outro lado, a União Europeia receia um efeito-cascata, despertando separatismos que jaziam latentes no Velho Continente, alguns deles nem tão sossegados, como acontece na própria Espanha, nos casos da Galícia e do Pais Basco. Este, inclusive, com parte de seu território também na França. Não são poucos os movimentos de reivindicação nacional que ocorrem dentro da Bélgica, da Itália, da Alemanha e mesmo do outro lado da Mancha, no Reino Unido.
São reclamos de povos conquistados há séculos e que permaneceram sob o jugo de nações mais fortes ou em alianças estratégicas que funcionavam bem no cenário medieval, mas sem razão para se perpetuarem. A Catalunha, mesma, já possuía governo constitucional, com seu generalitat, desde o século XV, até ser açambarcada pela União dos Reis Católicos, a partir de 1469, com a formação de uma monarquia hispânica, desde então centralizada em Aragón e Castilla.
Uma vez desmembrada, a Espanha certamente continuará uma economia pujante e um país admirável. Não lhe cai bem a arrogância com que vem tratando o assunto. Poderá, isto sim, ser o grande parceiro do novo país.
Catalunha segue teu caminho, firme e altiva, ets just, ets legítim!

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