Marcus Accioly morreu, mas eu não cheguei atrasado

Raimundo Carrero *
raimundocarrero@gmail.com

Publicação: 30/10/2017 03:00

É difícil, sempre muito difícil escrever sobre um amigo morto. E mais difícil ainda se ele se chama Marcus Accioly que conheci na década de 1960 na Universidade Católica de Pernambuco, quando começamos a escrever e a publicar, sobretudo no Suplemento Literário deste Diário de Pernambuco, nos tempos heroicos de César Leal e de Marcus Prado, editores que abriram as portas do jornal para os jovens escritores.

Parece que estou chegando atrasado, mas não é verdade. Soube da morte do meu amigo ainda no sábado 21, através de mensagem do meu outro amigo Marcelo Pereira, em  mensagem de computador. Minha primeira reação foi não acreditar. Pensei logo: “Passaram uma informação falsa a Marcelo. É um equívoco, sem dúvida. Marcus Accioly não vai morrer assim sem mais nem menos.” A verdade foi confirmada aravés de telefonemas.

O Brasil  ainda não se deu conta da importância de obras monumentais como Sísifo, Nordestinados  e  Latinamérica , por exemplo, ou como Cancioneiro e Xilogravuras. Será preciso uma revisão literária na História da Literatura para se conhecer a grande importância deste autor decisivo.

Juntos lançamos os livros A Dupla Face do Baralho e Sísifo pela editora Francisco Alves, em convênio com a Prefeitura do Recife, quando estivemos em debates no Rio de Janeiro e E em São Paulo, mas tornou-se inesquecível nossa conversa em Arcoverde, quando reunimos mais de 200 estudantes na Faculdade de Formação de Professores, sob a liderança da professora Maria Helena Porto.

Aliás, o lançamento desses livros foi um marco realizado pelas Edições Piratas, sempre sob o comando do também monumental  poeta Jaci Bezerra, uma das lideranças mais grandiosas e mais saudáveis da literatura Pernambucana. Com ele – ao lado de Alberto Cunha Melo -, a Piratas revolucionou as nossas Letras na revelação de nomes e na publicação de obras fundamentais.

Inquieto, Marcus sempre enfrentou tempestades, ora na poesia, ora na vida literária, ms não se curvava. Aatacado, respondia com obras primas poéticas, não se cansando de ajudar os mais jovens, sobretudo quando dirigiu o Departamento de Extensão Culultural, da Univesidade Federal de Pernambuco,substituino o genial Ariano  Suassuna.

Faço estas anotações com a autoridade de ter participado de todas elas, na qualidade de amigo do poeta, com o testemunho ainda de repórter deste Diário de Pernambuco, que fui durante muito tempo, exercendo também os cargos de editor e de chefe de reportagem.

* Escritor e jornalista

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.