A Chesf de que o Brasil precisa

Fernando Coelho Filho
Ministro de Minas e Energia

Publicação: 28/10/2017 03:00

Em 1913, quando o industrial Delmiro Gouveia construiu a usina de Angiquinhos aproveitando o potencial hídrico da cachoeira de Paulo Afonso, as águas do Rio São Francisco passaram a gerar energia para a Região Nordeste. Mais de três décadas depois, foi criada a Chesf, motivo de orgulho para o povo nordestino. O desafio, agora, é preparar a empresa para o futuro.

Nos últimos anos, vítima de seguidas decisões equivocadas e abatida pelos efeitos nefastos da MP 579, a empresa mergulhou na maior crise de sua história. Em 2016 precisou tomar um financiamento de R$ 1 bilhão para honrar investimentos e custeio; há dois anos, tinha 90% dos seus projetos de transmissão atrasados. Submetida a uma política de artificialismo tarifário, a Chesf tem hoje 87% de suas usinas “cotizadas” e vende energia a um terço do que negociam suas concorrentes.

A luta por eficiência e uma boa gestão, no entanto, é dura e sujeita a reveses. Após um Plano de Demissão Voluntária (PDV) em 2013, a empresa reduziu sua folha de pagamento em 56%, para R$ 501 milhões em 2014. No ano seguinte, a despesa voltou a subir 94% e atingiu R$ 973 milhões. Na fase de reestruturação atual, assumiu o compromisso de entregar 80 obras até 2018, gerando 20 mil empregos diretos e investindo quase R$ 3,5 bilhões.

Toda essa mudança não se faz num passe de mágica. A companhia vem reduzindo custos administrativos, incentivando aposentadorias e prevê a venda de participações em Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Para os que temem a “privatização” do Rio São Francisco, a resposta é clara: o plano de desestatização prevê investir cerca de R$ 500 milhões por ano só na recuperação do rio, 2.360% acima da média de investimentos ambientais dos últimos cinco anos.

Ninguém duvida da importância da Chesf, mas mantê-la submetida a amarras burocráticas e ingerências políticas não é o melhor caminho. Os desafios são muitos. O ingresso de novos investidores, a implantação de uma gestão moderna e a construção de novas parcerias, inclusive com universidades, permitirão à Chesf retomar o caminho do crescimento sustentável e da geração de empregos. Essa é a Chesf de que o Brasil precisa. Hoje e no futuro.

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