EDITORIAL » Rio de Janeiro: lindo e violento

Publicação: 27/10/2017 03:00

Não foi só a Polícia do Rio de Janeiro que foi duramente golpeada com o assassinato do comandante da 3ª BPM no bairro do Méier, coronel Luiz Gustavo Teixeira. O Brasil inteiro é hoje vítima do cerco de insegurança. Ainda que não sinta hoje a dor da família do policial, em cumprimento de suas funções até cair ao ser atingido por um tiro de fuzil no peito, em cada canto do país há quem sofra por medo e espere ao final do dia o livramento de parentes. Todos estão expostos à criminalidade.

Luiz Gustavo foi o primeiro coronel e comandante da corporação a ser alvejado e já são 112 os mortos deste ano na Polícia Militar do estado. As primeiras notícias dão conta que ocorria um arrastão na Rua Lins de Vasconcelos no exato momento em que o coronel transitava de carro, sentado na cadeira do acompanhante. Tanto ele quanto o cabo que dirigia o automóvel foram atingidos por um dos 17 tiros cravados no veículo. Circula um vídeo que mostra essas imagens, dando a indicação de que a morte dele ocorreu como consequência de assalto. Uma teoria mencionada às pressas e que pode ser modificada.

Um total de 300 policiais está nas ruas do Rio em uma espécie de caçada aos assassinos. Pressionado pela gravidade do episódio, o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias, logo pediu reforço das Forças Armadas para a operação. Tem sido frequente as Forças Armadas serem solicitadas pelo Rio, que vive guerra permanente em especial entre comunidades que abrigam criminosos ligados ao tráfico de drogas. Na região do Complexo do Lins, para onde os bandidos seguiram após o assassinato, são 12 comunidades conglomeradas.

Afora o coronel, na última quarta-feira foi registrada a morte de uma adolescente de 12 anos que saía de uma igreja evangélica na comunidade da Rocinha, na Zona Sul da cidade. Ontem, novo tiroteio na Rocinha. Há dois dias, na mesma localidade, uma turista espanhola de 67 anos foi morta por um policial, supostamente porque o carro dela tinha furado uma blitz. O Rio continua belo, mas as notícias recentes são de afugentar visitantes e apreciadores e dão a impressão da incapacidade operacional das instituições públicas para barrar a escalada criminal.

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