O brasileiro e suas três dimensões

Ary Avellar Diniz
Diretor do Colégio Boa Viagem e da Faculdade Pernambucana de Saúde

Publicação: 25/10/2017 03:00

Desde a mais tenra idade até o seu amadurecimento, o brasileiro vivencia três dimensões importantes: no seio familiar, na empresa onde trabalha e no âmbito da sociedade.

A família bem-constituída procura encontrar o caminho da felicidade. E, para alcançar esse êxito, os filhos crescem aprimorando-se nos princípios da ética e da dignidade, tendo como sustentáculo a educação. A harmonia no lar, a interação escola-família e os limites impostos durante o crescimento do jovem são fatores primordiais para que se alcance, nesse ambiente familiar, um modus vivendi mais sadio, mais alegre e de intensa afetividade.

Isso verdadeiramente acontece, e não é utopia, a partir da educação ministrada ao jovem pelos seus pais, obedecendo às diferenças e peculiaridades das várias faixas etárias. Não é um passe de mágica, e sim, um constante esforço num único sentido, requerendo continuidade de diálogos francos, espontâneos e oportunos. Percebe-se que esse projeto de vida é fruto do convívio escola-família, mediante o qual é enriquecida a formação de atitudes, comportamentos e informações, tudo acompanhado e conduzido substancialmente pelos mestres educadores.

Já a vida profissional do colaborador na empresa, seguidas as exigências meritocráticas, faz com que o trabalhador seja estimulado cada vez mais a buscar o sucesso da organização, mas sem que se atenha exclusivamente aos limites dos números do balanço contábil. O fator psicológico positivo, no ambiente de trabalho, produz excelente efeito na consciência e disposição dos indivíduos, no entendimento entre os pares e na necessidade espontânea de aplicação dos princípios da hierarquia, da disciplina e da honestidade no decorrer das atividades e no universo das funções exercidas.

“Homem algum é uma ilha, entregue a si mesmo” (“No man is an island, / Entire of itself”), já dizia o poeta inglês John Donne; ou seja, ninguém vive isolado do mundo. O ambiente social, o aconchego entre os amigos e a responsabilidade dos gestores governamentais têm grande parcela no quadro de felicidade pessoal. A ação coletiva e solidária pode alcançar a excelência no que tange à qualidade de vida dos cidadãos.

A receita do bolo está pronta. A pergunta, entretanto, é geral: Por que tantos descalabros, no âmago desta grande Nação brasileira, em prejuízo da sua população? A resposta é antiga e reiterada: falta de educação da grande maioria dos brasileiros. Cabe, então, aos mais cultos e beneficiados orientar os menos favorecidos da sorte. O momento atual propicia o aprimoramento da mente dos brasileiros, mormente quando se aproxima o pleito eleitoral do ano vindouro.

Nessas últimas três décadas, é triste a escolha dos nossos mandatários eleitos: Sarney, a ser julgado no âmbito da Lava-Jato; Collor de Mello, “impeachado”; Fernando Henrique Cardoso, inimigo dos nordestinos, cujo solitário projeto que nos dedicou, em 8 anos de mandato, foi fechar a Sudene; Lula e Dilma (também “impeachada”), ambos processados por corrupção; Temer, vice de Dilma, é citado por falcatruas diversas pelas autoridades jurídicas do país, embora sua equipe econômica se tenha mostrado altamente satisfatória, passando por cima de paus e pedras…

Acorda, Brasil!

É responsabilidade dos brasileiros a escolha dos seus representantes políticos. Será que o cidadão, exercitado por tantos pleitos eleitorais e escolado por tanta decepção, não saberá, desta feita, excluir da disputa os verdadeiros inimigos da pátria?

Há gente competente, pessoas dignas e bem-intencionadas, com amor ao Brasil e respeito aos seus compatrícios. Afastem-se aqueles que só pensam egoisticamente em si próprios, desarmados pelo soberano voto popular.

Assim procedendo, encontra-se a premissa básica inicial de galgar dias melhores, a ideia mesma de nação, que beneficia a todos com a luz da justiça e o lastro das inúmeras riquezas nacionais, como o petróleo, os minérios, o solo fértil e de tamanho continental, capaz de abastecer de alimentos o mundo inteiro!

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.