EDITORIAL » O mosquito de novo

Publicação: 25/10/2017 03:00

É da natureza humana viver cada dia em sua agonia e resolver as causas mais urgentes, postergando planejamento e prevenção. Mas a prática mostra que o equilíbrio de prioridades traz resultados mais consistentes. O balanço da incidência das arboviroses em Pernambuco, divulgado ontem, confirma. Tanto o estado quanto a população estiveram tão preocupados com a ameaça dos números de casos de dengue,  chikungunya e zika nos últimos anos que a força-tarefa fez com que este ano tenha-se chegado às impressionantes quedas de notificações acima de 87% (aconteceu especificamente com a dengue), podendo chegar a 94% com o zika. Se assim foi, conclui-se que é possível se conseguir uma variação negativa continuada, se o nível de comprometimento continuar alto.

A objetivação, em se tratando do mosquito transmissor, é espécie de obrigação. Ele continua batendo às portas do pernambucano. Vejamos as estatísticas deste 5º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), indicador que acompanha a quantidade de imóveis com a presença de larvas do mosquito. O equivalente a 84,7% dos municípios do estado estão em situação de risco para a transmissão elevada das doenças, o que representa 156 cidades de um total de 184 municípios mais o arquipélago de Fernando de Noronha.

Fala-se de uma cadeia: as larvas formam o mosquito e a presença de mosquito potencializa as chances de contaminação das doenças levadas pelo transmissor. Dizem especialistas que apenas um mosquito, pequeno mas com capacidade de grandes danos, é suficiente para infectar muitas pessoas, causando-lhes problemas que vão desde a menor dor até o mais grave, como as sequelas da síndrome congênita do zika que vitimou e ainda atinge bebês ainda no útero da mãe.

O verão já está próximo e. nesta estação do ano, os riscos aumentam. Estamos na Semana de Mobilização Contra o Aedes aegypti, contando com uma propagação maior sobre a cultura do controle dos focos do mosquito e eliminação de possíveis criadouros na tentativa de evitar novas epidemias. O mantra da verificação de água limpa parada, de evitar reservatórios sem tampa e do descarte de recipientes sem uso não é retórica de gestor público. É regra de uso prático e permanente.

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