EDITORIAL » Economia em recuperação

Publicação: 06/10/2017 03:00

O desemprego volta a cair no país. No trimestre encerrado em agosto, o número de desocupados diminuiu 4,8% na comparação com o período de março a maio deste ano. Ou seja, 658 mil pessoas conseguiram uma oportunidade. Hoje, 13,1 milhões ainda amargam a falta de trabalho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor público, com 11,5 milhões de profissionais,  também contribuiu para o bom resultado de agosto, com o preenchimento de 295 mil vagas — elevação de 2,6%. Mas a maioria das oportunidades foi ofertada pelo setor informal (sem carteira assinada) — aumento de 2,7% —, com a contratação de 286 mil trabalhadores. O número de ocupados por conta própria (22,8 milhões) teve alta de 2,1%, ao agregar 472 mil pessoas. O IBGE avalia que há melhora no mercado de trabalho apesar do elevado número de brasileiros que busca contratação.

Embora a  passos lentos, o país se afasta da recessão dos últimos dois anos, que o colocou à beira do abismo da depressão. A economia segue descolada da crise política, que fustiga o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Tanto a inflação quanto as taxas de juros continuam em queda — sinalizações positivas para os consumidores e, principalmente, para os investidores nacionais e estrangeiros.

O Brasil se mantém atraente para o mundo. Os leilões de quatro usinas da Cemig tiveram resultado acima do esperado: R$ 12,1 bilhões — R$ 1 bilhão a mais do valor mínimo fixado para outorgas — pagos por investidores chineses.  A Petrobras também obteve êxito na concessão de áreas para exploração e produção de petróleo. Arrecadou R$ 3,84 bilhões, o maior valor entre os leilões realizados, disputados por consórcios formados por empresas gigantes do setor, como Exxon, Shell, Rapsol e a chinesa CNOOC. Mas a grande prova para a petrolífera nacional serão os leilões dos campos do pré-sal.

A fim de aquecer o consumo, o governo federal liberou, este mês, os saques nas contas do PIS e do Pasep. A expectativa é de que R$ 15,9 bilhões sejam injetados na economia, dos quais pelo menos R$ 5 bilhões no comércio. A intenção é repetir o que ocorreu com o saldo das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que carreou R$ 34,5 bilhões, de março a julho, para  o mercado, entre compras e quitação de dívidas.

As medidas até agora adotadas pela equipe econômica são importantes para reconduzir o país à via do desenvolvimento e do crescimento. Para deixar o atoleiro no passado e evitar crises futuras, entre as primeiras providências está o equilíbrio das contas públicas. Os sucessivos deficits impedem que o Estado faça  investimentos indispensáveis à geração de empregos e melhoria da qualidade de vida da população.

As reformas, como a da Previdência, são fundamentais para a eliminação do rombo fiscal. Hoje, pouco ou nada sobra no caixa da União para os indispensáveis gastos em educação, ciência e tecnologia, capazes de elevar a produtividade, hoje muito baixa, o que prejudica o avanço em áreas importantes que conduziriam o Brasil ao patamar de nação desenvolvida.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.