Chesf, uma responsabilidade social

Múcio Aguiar
Presidente da Associação da Imprensa de Pernambuco, conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa, doutorando em Ph.D em arqueologia pela Universidade de Coimbra.

Publicação: 03/10/2017 03:00

O verbo privatizar refere-se à transferência de uma empresa pública ou de uma atividade administrada pelo Estado a uma empresa privada. A gestão daquilo que antes pertencia ao conjunto de uma sociedade fica em mãos de empresários que buscam benefícios particulares e que em sua grande parte não atendem aos interesses coletivos.

Os defensores da privatização defendem que ao privatizar se reduz os gastos estatais evitando os desequilíbrios que gerará a participação do Estado no mercado. Aqueles que atacam estes processos, porém, ressalvam que o interesse privado não costuma coincidir com o interesse público e que os cidadãos, finalmente, acabam por aceder aos serviços mais caros, além de excluir/reduzir o seu papel social.

Apresentado brevemente os dois pensamentos, considero que é bem verdade que empresas públicas foram criadas nas décadas passadas visando o desenvolvimento social e o fortalecimento da indústria nacional, e que passado aqueles períodos, o País já não é o de antes, sendo necessário uma readequação a realidade atual. Contudo, existem empresas públicas cuja missão tem em sua essência o desenvolvimento social e o equilíbrio ambiental, assim é a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. Seu papel extrapola o de só gerar energia, para gerar, também, desenvolvimentos sociais. As margens do São Francisco, o rio nos alimenta não só com geração de energia e emprego, mas promove a busca pelo princípio básico da democracia – liberdade, da igualdade e da dignidade humana. Igualdade de tratamento às pessoas, igualdade de oportunidades, igualdade de participação, especialmente na geração, produção e distribuição de riquezas.

O Brasil democrático deve priorizar pela efetividade das regras de convivência social, da distribuição de riquezas e na prestação dos serviços, sem que haja privilegiados diante do sistema para que, por exemplo, os mesmos serviços e oportunidades conferidas ao cidadão urbano, sejam ofertadas aos cidadãos do interior, do campo, nos quesitos essenciais de um estado: vida digna, saúde, segurança, educação, trabalho, assistência e previdência social. Nesta perspectiva, a privatização da Eletrobras/ CHESF é um atentado ao direito democrático de bem-estar social não só das comunidades ribeirinhas, mais de todo nordeste, motivo pelo qual a sua privatização é um dano ao equilíbrio regional e a integração nacional.

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