Não brinque com a 'baleia azul'

Jaime Xavier *
jaimexavier@xconsult.com.br

Publicação: 02/10/2017 03:00

Amplamente divulgado pelos meios de comunicação, o famigerado jogo “Baleia Azul”, algo que só pode ter sido concebido por mentes doentias e tomadas pelos piores sentimentos, tirou a paz das famílias ao levar crianças e jovens a mutilação e em casos extremos mesmo, ao suicídio. Para evitar a sua propagação, o caminho mais acertado é a atenção da família e da escola ao comportamento dos jovens.

Pois o que vejo hoje na atitude de diversos empresários, é uma prática bastante semelhante a que é aconselhada pelo tal jogo, mutilando de tal forma seus investimentos, particularmente em inovação, pessoas e comunicação que, a continuarem neste jogo, o destino das organizações que comandam não parece que virá a ser outro, se não a extinção.

Há alguns dias, coluna deste jornal comentava o absurdo que é entrarmos em uma loja e vermos fechada a grande maioria dos caixas, e acrescento, os que estão funcionando serem ocupados por funcionários que parecem ter como único objetivo, atender mal ao cliente. Além disso, equipamentos que não funcionam, processos que entravam o registro de itens (alguns precisam ser pesados nas seções, mas não há qualquer aviso sobre isso), falta de troco e outras mazelas que todos nós, com certeza, já vivenciamos em nosso cotidiano.

A desculpa para todos os males é a famosa “crise”, como se isso fosse aceito como justificativa pelo cliente que, ao contrário, é cada vez mais exigente no uso do seu dinheiro.

O que se deveria fazer neste momento portanto é, justamente ao contrário do que se está observando em muitos casos, uma avaliação mais aprofundada das estruturas, encontrando-se meios para racionalizar o tamanho da retaguarda e das áreas dedicadas a burocracia e cada vez mais fortalecendo o “chão de loja”, onde de fato, as vendas se concretizam.

A Lei 13.429/2017, que regulamenta a Terceirização, sancionada recentemente, é um instrumento valioso para inicio dessas discussões e deveria ser estudada e avaliada por todo empresário, na busca de oportunidades para promover essas mudanças.

Por outro lado, o investimento e o estímulo ao bom atendimento, à busca constante por inovação e o aperfeiçoamento dos processos de comunicação no ponto de venda, são algumas formas para fortalecer a imagem das marcas, mantendo-as como referencia para o consumidor, mesmo que em momentos difíceis como os que vivemos agora.

O papel do líder empresarial portanto neste momento mais que nunca é o mesmo do chefe de família, que sabendo-se responsável por garantir o bem da empresa e de todos (ai compreendidos os funcionários e seus familiares), e tendo consciência de que este só acontecerá se houver muito trabalho, investigação e dedicação aos processos fundamentais, assume o seu papel que é em ultima instancia, o segredo do sucesso de qualquer negócio.

Resista portanto à tentação da “Baleia Azul”, abandone por algum tempo as suas idas a Miami, utilize os seus dias de folga para visitar suas lojas, com os olhos críticos de um cliente, observando como se comportam seus funcionários, as lacunas na comunicação, os erros no atendimento, as faltas de produtos, por falhas no abastecimento ou no processo de compras.

Só dessa maneira você garantirá o futuro da sua empresa, e fará com que sua marca se sobreponha a crise, saindo dela viva, ainda mais forte, e reconhecida pelo consumidor, resistindo ao chamado e derrotando a “Baleia Azul”.

* Jaime Xavier é Mestre em Administração de Negócios pela COPPE – RJ, Socio-Diretor da XConsult – Consultoria Empresarial

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