A leitura contemporânea

João Paulo S. de Siqueira
Advogado, professor, mestre em Consumo e Desenvolvimento Social.

Publicação: 28/09/2017 03:00

Há poucos dias li uma pesquisa que afirmava que os internautas gastam, em média, 10 segundos para lerem uma notícia na internet, e que as informações nas redes sociais eram lidas por volta de apenas 8 segundos. Fiquei intrigado!

Sei que a celeridade e a pressa são características inerentes e vitais da atualidade, e que dentre as inúmeras nomenclaturas pertinentes, nossa sociedade contemporânea é caracterizada como a sociedade da informação.

Mesmo que a notícia seja apresentada de maneira direta e sucinta, em 10 segundos não se pode realizar o processo cognitivo de ler, interpretar, compreender e racionalizar uma informação, e talvez esse seja o maior dilema dessa questão: estamos deixando de lado o hábito de refletir?

Nossa sociedade contemporânea parece que privilegia e prefere a pouca profundidade nas discussões, informações e reflexões. Não basta somente ter acesso e compartilhar as informações, é fundamental darmos um passo além, é preciso que o conteúdo da notícia seja pensado, questionado, apreendido e compreendido, pois só assim essa informação é transformada em conhecimento.

Vivemos na era em que ser conectado é um status cobiçado, mas se somos conexões, devemos realizar um filtro do que vamos repassar e usemos nosso discernimento e bom senso para não sermos meros robôs divulgadores de notícias falsas e irresponsáveis, as famosas “fake news”.

Somos seres pensantes e interativos, e os novos paradigmas da informação e da comunicação são construídos por nós, a todo momento. Ponhamos em prática as noções ensinadas por Habermas em sua teoria da ação comunicativa e realizemos um intercâmbio franco de argumentos e ideias, mas ideias críticas e racionalizadas e não meras informações vazias, que acreditamos e compartilhamos sem questionamentos.

Amigo leitor, amiga leitora, se leu meu texto até aqui, certamente levou mais de 10 segundos. Obrigado pela atenção.

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