EDITORIAL » O papel do centro nas próximas eleições

Publicação: 28/09/2017 03:00

Com base no resultado das pesquisas mais recentes, há quem considere que a disputa presidencial de 2018 será polarizada entre candidatos de polos antagônicos. É a convicção nessa crença que faz com que tenhamos prováveis postulantes tentando marcar terreno como “anti-isso” e “antiaquilo”. Mas há outra corrente de análise fazendo avaliação diferente — a de que na corrida eleitoral para a Presidência da República vai prevalecer o centro, e não as posições mais exacerbadas.

“Tem gente que acha que o centro desapareceu. Não é verdade. O centro no Brasil é muito grande para ser descartado na governabilidade, está em vários partidos e principalmente fora dos partidos, não é um conceito ideológico. É o eleitor que não se identifica com o “anti” nada e quer solução para os problemas”, disse ontem Aldo Rebelo (SP) ao assinar ficha de filiação ao PSB. Dê-se o desconto de que Rebelo é também parte interessada no processo (como, aliás, são todos os políticos quando se trata de eleição), mas não podemos desconsiderar a experiência e a carreira dele: durante 40 anos militou no PCdoB, partido do qual foi uma das principais lideranças. Foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff. “Um governo de esquerda ou de direita no Brasil vai ser sinônimo de instabilidade. Quem achar que vai ser uma polarização entre golpista e antigolpista, petista e antipetista, não apontará solução”, afirmou ele.

Rebelo — que tem aparecido nas especulações da imprensa nacional como um dos possíveis postulantes à Presidência, ou a  vice — está apostando no centro, e não nos polos radicalizados. “A sucessão em 2018 vai fugir da polarização entre PT e PSDB. Todo mundo será terceira via. A Lava Jato se encarregou de quebrar a polaridade. O PT e o PSDB passaram por processo de desconstrução”, destacou.

Para quem foi durante 40 anos nome de destaque  de um partido comunista, causa uma certa surpresa sua afirmação de que “um governo de esquerda ou de direita no Brasil vai ser sinônimo de instabilidade” — mas se você abstrai o autor da frase, a surpresa desaparece e ficamos diante de um racíocínio que talvez encontre eco na análise do cenário que teremos em 2018.  Mesmo enfoque que se pode dar a outra frase dele, de que “todo mundo será terceira via”, uma vez que a polarização PT x PSDB será posta de lado.

Estamos usando o “talvez” e verbos no condicional porque, a um ano das eleições, tudo neste momento é conjectura. As candidaturas não estão definidas, o país vive há anos sob pesada crise, pairam dúvidas sobre como estará a economia em 2018 e ninguém sabe como o eleitor vai digerir este tsunami de acusações de corrupção. Dadas tantas incertezas, muitas vezes as avaliações de partes interessadas podem refletir mais o desejo de fazer com que o processo siga determinado caminho do que uma análise objetiva da realidade. Independentemente de suas motivações, porém, são hipóteses que amanhã podem virar realidade. Aguardemos, para constatar quais delas conseguirão passarão no teste do tempo.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.