EDITORIAL » Corrupção lá e cá

Publicação: 27/09/2017 03:00

A sequência de denúncias de corrupção que cerca a elite da política brasileira tem dado impulso ao efeito cascata. O pente fino para pegar corruptos vale para a corte, para aqueles que transitam na escala federal, e funciona na província, entre aqueles que mandam no executivo municipal ou circundam em torno dele. Nessa faxina geral, não há como se dizer quem errou e está envolvido em crime maior. O cerne da questão que une os dois mundos é um só: a apropriação de dinheiro alheio, do bem comum, do povo.

Enquanto Brasília fervilhava, ontem foi dia de desgosto em especial para a população de São Lourenço da Mata, situado na Região Metropolitana de Pernambuco. O prefeito - autoridade maior da cidade - e dois dos secretários municipais foram afastados das suas respectivas funções por determinação do desembargador Odilon de Oliveira Neto, do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Ficam proibidos inclusive de ter acesso ao prédio da prefeitura. A investigação partiu do Ministério Público e do Tribunal de Contas do estado. Sobre eles, pesa a acusação de desvios de bens e rendas públicas, fato gerador da Operação Tupinambá. No total, a Polícia Civil cumpriu 14 mandatos de busca e apreensão para investigar o político e outros servidores e auxiliares, além de empresários locais.

O esquema de corrupção de Lagoa do Carro, outro município de Pernambuco, também sofreu novo golpe no mesmo dia com a segunda fase da operação Mata Norte, deflagrada pela Polícia Federal e que envolve ex-prefeito, ex-secretário municipal, além de outros cidadãos. Novos mandados de busca foram cumpridos. A operação relaciona-se à suposta negociação fraudulenta de empresas para fornecimento de merenda escolar entre 2013 e 2016. O prejuízo aos cofres teria chegado a R$ 512 mil, afirmam notícias veiculadas na Imprensa.

Lá em Brasília, o dia foi movimentado com o início da tramitação na Câmara dos Deputados da segunda denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Ele é acusado de obstruir a Justiça e formar quadrilha. Em agosto, Temer enfrentou uma denúncia por corrupção passiva.

Para o bem do país, o que se espera é que o vigor das manifestações públicas de rua dos últimos anos seja visto entre aqueles que conduzem as investigações e que a régua usada para a elite política seja bem empregada quando se trata de autoridades municipais.

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