Espanha, o maior contribuinte e investidor europeu em Pernambuco

Fernando Villalonga
Embaixador do Reino da Espanha no Brasil

Publicação: 23/09/2017 03:00

A Espanha conheceu Pernambuco antes que qualquer outro país. Em janeiro de 1500, o espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que planejou as primeiras viagens à América junto a Cristóvão Colombo, converteu-se no primeiro europeu a pisar em terra brasileira, justamente onde hoje é Suape, A Espanha ratifica-se como o país europeu que mais acredita em Pernambuco.

As empresas espanholas são as que mais pagam impostos e, portanto, as que mais contribuem para a receita tributária do estado de Pernambuco. A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), propriedade da multinacional espanhola Iberdrola (a maior distribuidora de eletricidade da América Latina), é o maior investidor privado do estado, emprega direta e indiretamente mais de 10.000 pernambucanos. O esmero da Espanha com Pernambuco chega todos os dias aos 3,6 milhões de lares pernambucanos clientes da Celpe, nos 184 municípios do estado e na ilha de Fernando de Noronha, o prodígio da natureza que descreveu pela primeira vez, em 1503, o espanhol Américo Vespucio, de maneira tão brilhante que inspirou o conceito de utopia de Thomas More.

A Espanha está presente na distribuição de energia, assim como também na geração e no consumo desta em Pernambuco. A central termoelétrica Termopernambuco (Termope) consome quase a metade do gás da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) e gera eletricidade que vende à Celpe. A Termope, a Pamesa e a Roca, empresas espanholas, consomem a maior parte do gás em Pernambuco.

A Pamesa produz revestimentos cerâmicos que decoram as paredes e os pisos dos lares pernambucanos. Esta empresa já investiu mais de 193 milhões de reais e emprega diretamente 450 trabalhadores e indiretamente 1.200. A Pamesa exporta desde Pernambuco para mais de 30 países. Por sua vez, a Roca comprou a Celite e produz banheiros completos, com duas eficientes fábricas próximas ao Recife.

A Espanha também está presente na paisagem moderna de Pernambuco. A empresa espanhola Gestamp Renewable Energies (GRI), maior fabricante mundial de torres e flanges eólicas, tem em Suape a maior fábrica da América do Sul.

Outro exemplo industrial de vanguarda é a Aguilar e Salas, empresa que replicou sua fábrica de Barcelona, com uma transferência completa de tecnologia e formação de capital humano para Pernambuco. A Aguilar e Salas começou a exportar desde Pernambuco para a Bolívia, Chile, Equador e México. No Nordeste do Brasil, somente ela tem o tão cobiçado certificado “U Stamp”, da prestigiosa American Society of Mechanical Engineers, uma garantia de qualidade que permite-lhe fabricar em Pernambuco trocadores de calor capazes de suportar pressões equivalentes à existente a 1.900 metros de profundidade abaixo do mar.

No setor de serviços, o Banco Santander e a Vivo (Telefônica) há muitos anos contribuem ao desenvolvimento financeiro e das telecomunicações de Pernambuco. Agora a Air Europa, a última aposta espanhola em Pernambuco, chegou para conectar o Recife com a Europa e o mundo, que além disso irá contribuir com 50 passagens de avião ao ano para que jovens pernambucanos estudem e se formem na Espanha através do exemplar programa “Ganhe o Mundo”.

A Espanha é educação, emprego, energia, finanças, indústria, tecnologia, telecomunicações, transporte e conexão com o mundo para os pernambucanos. A Espanha está presente em seu dia a dia. Esta é a mensagem que vou transmitir ao governador Paulo Câmara no dia 27 de setembro: todo este investimento espanhol significa claramente que acreditamos nos pernambucanos e temos um enorme carinho a Pernambuco, assim como os quase 1.000 espanhóis que vivem aqui.

Como afirmou em abril o presidente Rajoyno Itamaraty: “O Brasil pode contar com o carinho, a  amizade e a leal colaboração da Espanha”. Os 165 bilhões de reais de investimento espanhol no Brasil são só o princípio da nossa extraordinária relação. Estamos juntos.

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