Minhas homenagens

José Luiz Delgado
Professor de Direito da UFPE

Publicação: 23/09/2017 03:00

Homenagens? Medalhas? Tenho cá certas desconfianças em relação a elas. Muitas são justas, justíssimas, claro. Mas várias (tantas, tantas!) obedecem a outras motivações, a cálculos, interesses, são dadas só em função da posição eventual que a personagem ocupa ... Ao completar agora a Faculdade de Direito do Recife 190 anos de existência, a sua Universidade promoveu comemoração solene em que distinguiu alguns professores com uma medalha específica. Quais os critérios para a escolha? Qual  o corpo votante? Posso identificar com clareza um caso: o meu. Nenhum outro título possuindo para tal honraria, fui agraciado por ser o decano da Faculdade, isto é, o mais antigo professor em exercício. De fato, nos seus quadros docentes me encontro desde 1970, isto é, há nada menos de 47 anos – o dobro da idade de vários de meus alunos atuais... Ou seja, o critério foi a ancianidade,  a velhice. Dizendo melhor, a caduquice.

Ocorreu-me homenagear aqui nomes que faltaram naquela festa. Afinal, toda seleção, toda relação de nomes, corre sempre o risco de omissões imperdoáveis.
Deixando de lado os que já se foram desta vida (porque, neste caso, a relação seria imensa), para considerar somente os ainda (felizmente) atuantes, como esquecer, entre os aposentados, nomes como os de Sylvio Loreto, ou Nilzardo Carneiro Leão, ou Souto Borges? Além dos méritos que todos lhes reconhecemos, ainda relevava a circunstância de serem professores titulares, isto é, os que galgaram as maiores posições na vida acadêmica.

Aposentados que merecem todas as homenagens, mesmo não titulares, há tantos! Se um critério fosse ser paraninfo – e esse seria critério extremamente objetivo (afinal, o paraninfado é expressiva distinção, que reflete a admiração desinteressada que o alunado nutre pelos docentes que escolhe) – seguramente teriam de ser homenageados os nomes altíssimos de Octavio Lobo e Sílvio Batista, que pareciam disputar o recorde, tantas vezes (coisa de duas dezenas, creio) foram eleitos paraninfos pelas turmas que colavam grau. Outros também não poderiam deixar de ser agraciados, pela dedicação com que exerceram seu magistério, pela competência docente e profissional, pelos variados serviços prestados à Casa – assim um Palhares Moreira Reis, um Aurélio BoaViagem, uma Nilcéa Maggi, o carismático Egídio Ferreira Lima.

Para destacar professores em plena atividade, como esquecer nomes que são dos mais importantes (e assim são reconhecidos pelos estudantes) entre os que integram hoje o corpo docente da velha Escola? A começar pelo prof. Francisco Queiroz, o diretor atual, e também titular. Ou  um Manoel Ehardt (felizmente também agraciado, mas a outro título, como presidente de tribunal federal), ou uma Eleonora Luna, um Francisco Barros, um Ivanildo Figueiredo?

Este é o mal de todas as premiações. Mesmo quando justas, são sempre omissas. (Esta homenagem minha, de agora, também deve ser...).

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