Os shoppings centers vão resistir ao e-commerce?

Luiz Alberto Carneiro
Presidente da Associação Comercial de Pernambuco (ACP)

Publicação: 21/09/2017 03:00

Muito se tem comentado e previsto por grandes entidades como o Credit Suisse, bem como pelo Conselho Internacional de Shoppings Centers, que cerca de 20 a 25% dos shoppings serão desativados até 2022.

A principal causa seria o e-commerce, aliada à eficiente logística. Na realidade, não concordo plenamente com esta assertiva, pelo menos em nossa realidade local.  Aqui no Brasil, pelas características do nosso povo e o péssimo sistema de entrega, somado ao nosso frágil sistema de logística, essa parece ser uma realidade mais distante.

Nos EUA, a preocupação com a rapidez está fazendo o market place da Amazon estudar a utilização de drones nas entregas.

Mas, certamente, os empreendedores de shoppings centers – que sempre se caracterizaram como empresários inovadores, se adequarão ao novo varejo, principalmente aqueles que tenham áreas disponíveis para expansão.

As lojas físicas já estão aproveitando suas marcas para usá-las também em lojas virtuais. Outras se acoplam a algum market place como o Amazon.

Entretanto, analisando as características do homo sapiens, que é gregário por natureza e precisa ter satisfação com o pertencimento a vários grupos presencialmente, certamente os shoppings centers se reinventarão para se adequar aos novos comportamentos dos consumidores.

Historicamente, os shoppings centers já vêm fazendo estes movimentos ao longo do tempo. Até os anos 80, os shoppings não privilegiavam cinemas, o que somente veio acontecer na década de 90, quando os empreendimentos já nasciam com salas de cinema e os que não tinham desde a sua concepção, passaram a incluí-las.

Segundo esta tendência de adequação e facilidades, os principais empreendimentos já têm espaço família e áreas de reparos e serviços gerais.

Hoje, um bom complexo de cinema com um mínimo de oito salas de cinema é parte obrigatória de um bom “tenant mix”.

Logo em seguida, foram incluindo teatros, áreas de lazer infantil, parques temáticos e, mais recentemente, restaurantes gourmets, e até mesmo grandes academias.

Acredito que nessa tendência de se tornar grandes centros de convivência,  os shoppings terão no mix modernas livrarias com cafeterias e salas para cursos e debates filosóficos ou literários de várias naturezas, salas de exposição cultural, centros de exposição de várias dimensões, tendo tudo isso adequado à sua área primária e secundária, compatibilizado com a taxa de retorno do empreendimento auferidos por estas locações.

Por outro lado, em um futuro um pouco distante, as lojas físicas se tornarão quase que lojas de exposição dos produtos, onde os vendedores farão dentro da loja o pedido do cliente, que poderá receber a mercadoria na própria loja ou em qualquer endereço informado.

Na contramão das previsões do Credit Suisse e do Conselho Internacional de Shoppings Centers, em Miami, a empresa Triple Five desenvolveu o maior shopping center americano, o Mall of America, e anuncia a inauguração para 2022 do ainda maior American Dream em Miami, orçado em 4 bilhões, já dentro desta linha acima levantada, com parque aquático, esqui indoor, pista de patinação no gelo, campo de golfe, parque de diversões e várias outras opções de entretenimento, bem como um hotel com capacidade de 2.000 quartos.

Depois de todas as ilações e outros ajustes, o mercado inteligente sempre se adequará ao interesse dos seus consumidores. É pagar pra ver.

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