Sim, nós podemos - II

Jaime Xavier
Mestre em Administração de Negócios pela COPPE - RJ. Curador do 1º Festival de Gastronomia - Diario de Pernambuco. Socio-Diretor da XConsult - Consultoria Empresarial

Publicação: 12/09/2017 03:00

Enquanto dediquei o artigo anterior, aos Chefs e ingredientes da Gastronomia Pernambucana, neste vou tratar do quanto esta área da nossa Cultura pode ser  praticada e utilizada como forma de convivência e satisfação.

No livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade o autor, Yuval Noah Harari, dá a um dos capítulos o sugestivo título Uma Raça de Cozinheiros, ao definir a espécie humana, e sua capacidade e mesmo necessidade, em prepararmos o nosso próprio alimento, desde os tempos mais primitivos da nossa civilização.

Muitas vezes, em reuniões com amigos, ouço a frase: “Na cozinha não sei fazer nada, sou um verdadeiro fracasso”. Tenho certeza de que isso não é verdade e que todos podemos aprender a cozinhar e ter mais este motivo de transmitir nosso carinho e amizade àqueles a quem amamos e desejamos conquistar ou simplesmente agradar.

É indiscutível o fascínio e o charme provocados por convidarmos alguém para um almoço ou jantar em nossas casas. Já vi muitas amizades se tornarem amor, já vi muitas discordâncias serem resolvidas e já vi muitos negócios serem concretizados, no ambiente agradável e sempre acolhedor do nosso lar e no entorno das nossas mesas.

Cozinhar transformou-se em uma expressão de bom gosto e requinte, praticada por pessoas de todos os níveis e capaz de agregar e conquistar.

É claro que para nos reunirmos e conversarmos temos as alternativas de bares e restaurantes, e é sempre muito bom diversificarmos as nossas opções, mas isso nunca produz o mesmo calor humano e prazer que é, oferecermos nós mesmos vez por outra, aos nossos convidados, uma demonstração do nosso carinho e atenção pessoal.

Hoje em dia, é tão fácil encontrarmos ingredientes, equipamentos, utensílios e receitas, que só não pratica a Gastronomia entre amigos, aquele que não quer experimentar estes prazeres.

Me criei ouvindo a frase “cozinha não é lugar pra homem”, e hoje lembro com saudade os deliciosos e incomparáveis sabores da comida feita em casa. A maionese caseira de camarão ou lagosta, os pasteis de nata, os bolos de macaxeira, a pamonha, a canjica e o munguzá, e tantas outras gostosuras que trago na memoria. Por isso me esforço para refazê-los.

Naquela época os locais de compras resumiam-se aos Mercados como, de São José, de Casa Amarela, de Camaragibe, da Madalena e as feiras livres, que muitas vezes tive a alegria de frequentar, conduzido pelas mãos das nossas queridas bábás e avós. Alí aprendi a distinguir aromas e sabores da nossa terra e conhecer um pouco do seu uso e forma de preparo.

Hoje, além de continuarmos contando com tudo isso, não precisamos nos afastar mais que alguns quarteirões das nossas casas, para encontrarmos em supermercados, hortifrútis, delis e outras lojas fornecedoras, uma enorme variedade de oferta, de tudo o que necessitamos para a elaboração das receitas que escolhemos executar.

A frase antiga que me criei escutando, mudou para “homem quando vai pra cozinha normalmente faz bem feito”, mas evidentemente, isso nada tem a ver com o sexo ou gênero de quem cozinha, pois basta colocar criatividade, ousadia, dedicação, amor e carinho como principais ingredientes dos nossos pratos e repetir a frase:

Sim nós podemos!

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