EDITORIAL » A conta não é da educação

Publicação: 11/09/2017 03:00

A crise econômica e financeira que afeta o país e, de forma mais acentuada, algumas unidades da Federação não tem como causa a manutenção das instituições estaduais e federais de ensino superior. Reitores das universidades estaduais e deputados da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reagiram indignados à sugestão da Secretaria do Tesouro Nacional para que o governo reveja a oferta de ensino superior, como forma de contribuir para a recuperação fiscal do estado.

Cortes no orçamento da educação não são caminho para a superação das dificuldades do governo fluminense. Ao contrário. Servem apenas para aprofundar as causas primárias do atraso no desenvolvimento nos campos da pesquisa, da tecnologia, da inovação e de áreas indispensáveis ao crescimento de uma nação. A privatização seria elitizar o ensino superior — um grave retrocesso. Milhões de jovens, sem recursos, estariam impedidos de ter acesso ao ensino superior.

No caso específico a medida se aplicaria às universidades Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e à Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo). A UERJ é a 13ª melhor universidade do país, com notória excelência nos cursos de direito e medicina. O conjunto de instituições públicas fluminense foi responsável por 4,4% da produção das pesquisas mundiais no combate ao zika vírus e à chicungunha, transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

Há cerca de dois anos, a administração fluminense se debate em meio à absoluta escassez de dinheiro. Faltam meios para pagar em dia o salário dos funcionários da ativa e dos aposentados e pensionistas. Hospitais suspendem o atendimento de pacientes por absoluta falta de condições. Ao lado do caótico cenário, uma sequência de investigações policiais desnudou um enorme esquema de corrupção que corroeu as finanças estaduais. Má gestão e desvio do dinheiro público explicam a falência da Cidade Maravilhosa. Seria injusto transferir a conta para a educação ou para outros setores essenciais à qualidade de vida dos cidadãos.

A crise financeira das universidades e dos institutos federais não é restrita ao Rio de Janeiro. Ela é epidemia que contamina as instituições públicas em todo o país. Levantamento divulgado em julho deste ano mostrou que, em pelo menos 14 universidades instaladas nas capitais, faltava dinheiro para o pagamento de contas de água, luz, telefone e outros insumos indispensáveis ao funcionamento das instituições, devido ao contingenciamento do orçamento da União.

Um país que relega a plano secundário o ensino, em todos os níveis, está fadado à estagnação social e econômica. Aborta qualquer possibilidade de construção de uma sociedade mais justa e menos desigual, ao mesmo tempo em que fomenta a violência e tudo mais que dela deriva, comprometendo a qualidade de vida da população. Por maior e grave que seja a crise, educação é prioridade para que o país tenha um futuro promissor.

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