O fisioterapeuta e a mulher durante o trabalho de parto

Joana Nunes de Melo Neta
Fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher, pós-graduada em Uroginecologia e Obstetrícia, mestranda em Saúde Integral e sócia-proprietária do GRAP - Gestante e Reabilitação do Assoalho Pélvico

Publicação: 08/09/2017 03:00

O Brasil vem tentando revigorar a participação ativa da gestante durante o processo de parto, num esforço comum para reintroduzir a liberdade corporal da mulher. O ministério da Saúde, em 2000, criou o Programa de Humanização do Parto, buscando estimular o parto vaginal da forma mais natural possível, com menos intervenção profissional e com uma maior atuação da mulher-parturiente.

A presença do fisioterapeuta no acompanhamento do trabalho de parto, ainda não é, infelizmente, uma prática comum. Durante o parto, torna-se importante que a mulher se sinta segura e confiante, daí porque a presença do fisioterapeuta tem a significativa função de demostrar à mulher a sua consciência corporal e a sua capacidade de parir. A intervenção fisioterapêutica na assistência obstétrica de baixo risco, ademais, valoriza a responsabilidade e o uso ativo do próprio corpo, além de facilitar e fornecer enorme satisfação à mulher, durante o trabalho do parto.

O fisioterapeuta quando inserido na equipe obstétrica, sem dúvidas, pode proporcionar à parturiente diversos benefícios, através do suporte fisioterapêutico realizado para diminuir as dores fisiológicas que afetam as parturientes, incluindo banhos, termoterapia, massagens, técnicas respiratórias, deambulação, posições verticais e exercícios específicos que facilitam o encaixe do bebê, além da neuroeletroestimulação transcutânea (TENS), que facilitam e aceleram o tempo de trabalho do parto, causando comprovado conforto na parturiente.

Por um ângulo fisiológico, a dor no trabalho do parto e o parto propriamente dito, são obstáculos que podem ser encarados e vivenciados de forma positiva pela mulher e os seus familiares. Porém, sabe-se que a gestante sempre necessitará de um preparo capaz de conscientizá-la para manter-se calma e relaxada durante todo o trabalho de parto. Pesquisadores afirmam que os métodos que permitem vencer de forma natural a dor sempre serão mais benéficos à saúde da mãe e a do bebê, em comparação ao uso de analgésicos e anestésicos farmacológicos.

A fisioterapia, assim, atua fornecendo apoio, diminuindo as queixas das dores através de aparelhos que inibem a dor, manipulações e massagens, estimulando posturas adequadas através de um trabalho específico, contribuindo para a fisiologia e biomecânica natural do trabalho de parto. Conclui-se, por todo o exposto, que as técnicas fisioterapêuticas podem e devem ser aplicadas à parturiente, pois comprovadamente proporcionam conforto e alívio da dor durante o parto.

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