Lula é pop

Luciana Grassano Melo
Professora de Direito da UFPE
opiniao.pe@dabr.com.br

Publicação: 07/09/2017 08:00

Acompanhei a caravana de Lula pelas fotos. E que fotos! Mas sei que as mesmas fotos que me deram um prazer de arrepiar, representaram para outros uma grande provocação: Você aguenta olhar para isso?

Olhava as fotos e procurava palavras que definissem a caravana de Lula. A caravana de Lula é reconciliação, é redenção, é provocação, é resistência. Se o povão em algum momento se ressentiu com Lula, não tenho dúvidas de que estão feitas as pazes.

Não são fotos encenadas, do tipo “fotografia oficial” que se coloca no Instagram. As fotos do Ricardo Stuckert são um grande espetáculo, porque são fotografias que foram tiradas para mostrar a realidade, e não para representá-la. Deviam servir de prova, porque mostram que Lula foi absolvido pelo povo.

Lula partiu em caravana pelo Nordeste enquanto presenciávamos um governo golpista, sem limites de cinismo e de rejeição propor a venda de nossas maiores riquezas. Na verdade, um governo depenado que gastou o dinheiro que tinha, e que busca vender o patrimônio do povo brasileiro para continuar sua saga de comprar parlamentares para se manter no poder, sem legitimidade, sem povo e sem votos.

Ficava só imaginando o que Lula viu e ouviu durante esses dias, e me contentava com alguns vídeos que mostravam seus discursos, sempre emocionados, vangloriando-se de ter servido ao povo, e realmente serviu.

Lula não é populista. Lula é popular. É popular porque se identifica com o povo e o povo se identifica com ele. É um fenômeno das multidões porque nele a massa se vê como espelho, refletida. E ele sabe fazer quando diz: Eu sou um presidente que não tive a honra e o direito de ter um título universitário, mas sou o presidente que mais criou universidades nesse país, e foi mesmo.

Foi um presidente que muitas vezes decepcionou, que fez más escolhas, que fraquejou diante de temas importantes em relação a que teria tido o poder de transformar e que transigiu muitas vezes contra o interesse do povo que mais representava, mas a sua caravana mostra que o povo fez as pazes com ele. E fazer as pazes é de certa forma esquecer o mal que se sofreu, até mesmo por reconhecê-lo como um mal menor.

Acredito que no caso específico de Lula, o esquecimento e a memória andam juntos, de mãos dadas. O povo faz as pazes com Lula porque está disposto a esquecer o mal que sofreu, e que hoje vê que é infinitamente menor de que a memória que tem do quanto se sentiu servido por ele.

As fotografias da caravana de Lula são poesia em tempos de ódio, preconceito e horror. Mostram, com eloquência, a persistência de um povo que para além do sofrimento, quer sorrir e viver. Até porque sorrir e viver deveriam ser comuns ao povo, e não apenas à elite e aos elitistas.

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