Sociedade e poder

Ary Avellar Diniz
Diretor do Colégio Boa Viagem e da Faculdade Pernambucana de Saúde

Publicação: 06/09/2017 03:00

“Todo poder emana do povo” (art. 1.º da Constituição da República Federativa do Brasil (…).” Pitágoras afirmava: “O homem é a medida de todas as coisas”. Conclui-se que a sociedade, composta de homens (no sentido genérico), pode-se tornar uma força inconteste ao tomar energicamente a posição de poder.

A história brasileira tem mostrado atuações exitosas da sociedade nos momentos de transe nacional, como na mobilização popular (negro, índio e branco) contra o invasor holandês, na Guerra da Restauração, e no bojo desta, o belo e destemido episódio das mulheres de Tejucupapo (23 de abril de 1646); na Abolição da Escravatura (1888); na Proclamação da República em 1889 (expressiva atuação da maçonaria); nas Revoluções de 1930 e 1964; nos impeachments de Collor de Mello (que renunciou ao cargo um dia antes, em 29/12/1992) e Dilma Rousseff (31/08/2016)… Mas atualmente (para ser mais preciso, nesses últimos meses), por infelicidade, a sociedade pouco se tem manifestado contra as incursões ousadas que ameaçam as riquezas patrimoniais do Brasil. A imprensa local vem anunciando, nesta segunda quinzena de agosto, que o Governo pretende privatizar 57 empresas nacionais de alto porte econômico-financeiro, embora sejam consideradas de ordem estratégica.

Encabeça a lista a Eletrobras, com balanço superavitário de mais de R$ 3 bilhões anuais. O perverso rol continua: Casa da Moeda, 15 terminais portuários, 14 aeroportos (incluindo Congonhas, de São Paulo), 2 rodovias, o pré-sal e a rede de telecomunicações da Aeronáutica… O receio é de que, futuramente, o Brasil se transforme numa província estrangeira. É só eles chegarem à Amazônia!

Uma coisa é negociar mediante parcerias, consideradas operações regulares, com quaisquer países desenvolvidos; outra coisa bastante diversa é alienar bens nacionais de grande valia, que levaram décadas para se constituírem, e, em pouco tempo, ser o negócio considerado uma transação comercial decepcionante.

No ano de 1950, também tentaram realizar incursões sorrateiras na Petrobrás. Caso a tivéssemos perdido, estaríamos presentemente em estado de penúria em relação ao cada vez mais escasso ouro negro. Salvou a situação, na época, a luta da sociedade brasileira com a grita de “O petróleo é nosso”. A Nação despertou e deu um basta no que já haviam levado. — As manifestações são válidas quando exercidas sem máscaras nem vândalos mal-intencionados.

No país, a corrupção generalizada tem sido eficazmente combatida com medidas coercitivas. A prática educacional, no entanto, usa meios preventivos, o que torna a sociedade mais fortalecida, sem revanchismos e descontinuidades políticas; e, como fruto dessa harmonia que se instala, sobrevêm a paz e a tranquilidade, além do bom conceito e da confiança internacionais, a exemplo dos países escandinavos.

Evidentemente, qualquer sociedade necessita de aparatos a fim de se constituir e exercer as suas ações legalmente. A Constituição do Brasil, aprovada pelos representantes do povo, aponta os caminhos responsáveis e adequados a se tomarem, assegurando o exercício dos direitos sociais e individuais, cujos anseios refletem, entre outros valores, os ideais de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos (Carta Magna).

Decepciona o sucateamento, espalhado por todo o Brasil, de empreendimentos não concluídos de escolas, hospitais, estradas (danificadas e intransitáveis), além dos intermináveis projetos de transposição do rio São Francisco e a Transnordestina. A sociedade poderia mobilizar-se no intuito de criar um “código de obras” que exigisse do gestor sucessor a continuidade das obras iniciadas na gestão passada…

Se pisar fundo, haverá certamente outros comentários a fazer; mas o momento atual é de enaltecer, mais uma vez, o papel patriótico do poder da educação no âmbito da sociedade. A propósito, mais de um país destroçado pelas guerras se recuperou motivado pela educação, como o Japão e a Alemanha. — Que sirvam de exemplo ao Brasil, que é uma nação sem beligerâncias.

Um país culto é um país liberto!

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