EDITORIAL » A violência e os ônibus

Publicação: 06/09/2017 03:00

Agora há de se enfrentar a crise de insegurança na rede de transporte coletivo das grandes cidades. Teve um tempo em que se falava do aumento do valor das tarifas do ônibus, carro-chefe da mobilidade urbana. Por épocas, se fez comparativos entre o valor das passagens e a qualidade dos serviços prestados por determinadas linhas e empresas. Há alguns meses, no estado, o assunto principal é a violência nos coletivos, que tem crescido e assustado a população - em especial aquela sem alternativa, senão conviver com o medo diário.

Há quase seis meses já se evidenciava a tendência por meio da notícia sobre a morte da zeladora Cláudia Maria dos Santos, que no mês de março caiu de um ônibus após ser surpreendida pelo anúncio de um assalto dentro da linha Circular Tancredo Neves. O corpo dela ficou estendido na BR-101 e, naquela ocasião, dizia-se que Cláudia não havia morrido do medo que sentiu; havia sido vítima da violência que assombrava a comunidade. As estatísticas continuaram em evolução.

Um dado revelado ontem pelo Sindicato dos Rodoviários evidencia os relatos mais recentes que se propagam nas ruas e os temores de que, além do trauma e das perdas materiais, registrem-se outras tragédias maiores. Os dados indicam que, no início desta semana, em apenas 24 horas foram contabilizados 15 assaltos a ônibus. No mês de setembro, que nem bem começou, são 42 ocorrências. Três abordagens foram nos BRTs; seis na cidade de Olinda. A situação está de tal forma que os passageiros começam a reagir em grupo - outro perigo - como aconteceu na linha TI Rio Doce/ PE-15, em Jatobá (Olinda), quando renderam um suspeito.

O calendário marca o dia 6 como a data de hoje. Faltam 24 dias para ele se encerrar e, na escalada que se segue, setembro acabará com centenas de novas vítimas. Em 2017 soma-se 2.706 investidas de assaltantes. Alguns, munidos de revólveres, outros de armas brancas como a faca. Somando as ocorrências dos 12 meses de 2016, foram 1.916 assaltos.

Afora os números, a crise da violência na rede de transporte coletivo é grave por atingir um dos equipamentos mais democráticos que existem em qualquer metrópole.

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