EDITORIAL » Risco de conflito

Publicação: 01/09/2017 03:00

A obsessão bélica do ditador da Coreia Norte, Kim Jong-un, não é ameaça restrita à Península Coreana, no noroeste da Ásia. Ela poderá desencadear um conflito mais amplo, com consequências inimagináveis — tudo o que planeta não precisa ante as mazelas globais. O Conselho de Segurança da ONU, por unanimidade, avalia que é preciso parar Kim Jong-un. Esse entendimento, bem como as sanções econômicas cada vez mais severas, não surtem efeito. A indiferença do norte-coreano é fortalecida pelas posições das aliadas China e Rússia.

Os testes com mísseis balísticos, como o ocorrido na terça-feira, que atravessou o Japão, elevou o grau de tensão na região. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul, inimigos de Pyongyang, têm realizado treinamento e manobras militares. Japoneses e sul-coreanos veem a necessidade de reforçar os arsenais com artefatos atômicos a fim de que tenham capacidade de enfrentar o exército de Kim, que congrega cerca de 1 milhão de soldados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há oito meses poder, tem dado mostras de que seu temperamento é tão ou mais explosivo do que o do norte-coreano. Ontem, por meio do Twitter, afirmou que “não há mais espaço para conversa”. O secretário de Defesa, Jim Mattis, amenizou a mensagem de Trump e garantiu que ainda havia condições de soluções diplomáticas. Na quarta-feira, porém, uma base do Exército dos EUA, no litoral do Havaí, fez um teste bem-sucedido do sistema de interceptação de mísseis, o mesmo que o Japão pretende adotar para reforçar a defesa.

Contradições à parte, existe amplo entendimento de que a Rússia e, principalmente, a China teriam força para dissuadir Kim Jong-un dos seus planos. A curto prazo, ele anunciou que o seu alvo são as águas próximas à Ilha de Guam, no Pacífico, onde o governo norte-americano tem duas importantes bases militares. Os recursos diplomáticos não podem ser deixados de lado.

Governantes dos países envolvidos têm a responsabilidade de construir uma saída pacífica para o impasse. De um lado, comportamento insano e provocativo do ditador da Coreia do Norte não pode degenerar para um conflito mais amplo. De outro, é preciso que prevaleça o consenso global contra a proliferação de armas nucleares. O bombardeio atômico sobre Hiroshima e Nagasaki ainda vive na memória do planeta como uma das maiores atrocidades cometidas contra inocentes. Nada justifica a sua repetição.

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