O filme da minha vida

Valéria Barbalho
Escritora

Publicação: 31/08/2017 03:00

Assisti O filme da minha vida, do diretor, roteirista e ator Selton Melo. Adorei! É belíssimo. Tão logo começou a sessão lembrei de uma das histórias do meu pai. Não por conta do personagem principal. Mas devido a um rapazinho que sonha conhecer um prostíbulo e perder a virgindade com uma prostituta. Engraçadíssimo!

Pois bem, nos diários de Seu Nelson, quando ele conta causos da sua adolescência, bem vivida no País de Caruaru, diz que, muito precoce, com doze/ treze anos, era doido para conhecer a zona de prostituição da cidade e perder a virgindade com uma “dama da noite”. Igualzinho ao garoto do filme. Para realizar esse sonho, juntou-se a mais dois colegas da escola, que tinham o mesmo desejo. Na noite combinada, seguiram para a “Matança” (como era conhecida, na época, aquela região), levando todo dinheiro que conseguiram. Ao entrar no cabaré mais famoso do local ficaram deslumbrados com o ambiente e, principalmente, com as mulheres. Enquanto criavam coragem para se aproximar de uma delas, eis que surge o meu avô, abraçado com uma prostituta. Vô que era brabo que nem um siri na lata, quando avistou meu pai, soltou a mulher e foi direto ao encontro do filho. Deu-lhe uns cascudos e puxando, com força, sua orelha, expulsou o coitadinho daquele local. Ainda ordenou:  “Vá para casa e não conte nada para a sua mãe, senão lhe dou uma pisa quando eu chegar”. Frustrado, com a cabeça doendo devido aos cascudos e a orelha queimando por conta do forte puxão, meu pai obedeceu. Chegando em casa arranjou uma desculpa para justificar a Dona Toínha, porque estava chegando tão tarde. Ainda bem que ele não contou nada para ela. Vó tinha ciúmes até quando vô ia ao cinema assistir filmes com Theda Bara, famosa atriz norte americana por quem ele era “arriado chorão”. Imagine se ela soubesse que o perigo estava tão pertinho. Vixe Maria!

Sim, antes que eu esqueça: os cúmplices do meu pai nessa aventura, também voltaram para suas casas, na mesma hora. Ficaram com medo que, meu avô, João Barbalho, que era o alfaiate dos pais deles fosse dedurá-los. Eita!

Pronto, contei a história de Seu Nelson. Agora se quiserem saber o que aconteceu com o rapazinho da fita, assistam O filme da minha vida. O final eu não vou contar...

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