A insurreição pernambucana em defesa da Hemobrás

Humberto Costa
Senador

Publicação: 30/08/2017 03:00

Há um mês, vem ganhando espaço nos jornais informações sobre a fábrica da Hemobrás em Pernambuco. No afã de somar pontos em Maringá, seu curral eleitoral, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), ignorou por completo a obra em Pernambuco e mais de um bilhão de reais investidos na construção e chegou a anunciar um novo empreendimento na cidade paranaense, onde mantém um reduto político. Mas certamente esqueceu uma informação importante: o histórico de insurreição do povo pernambucano.

Se Barros achava que ia passar esse enredo sem que houvesse reações, se enganou por completo. A bancada pernambucana não arredou o pé até o ministro voltar atrás de sua decisão de desmontar a empresa no estado. Foi a união de parlamentares de distintas colorações e de todo o estado que assegurou a permanência da fábrica em Pernambuco.

A possibilidade do esvaziamento da Hemobrás não é um fato isolado. O que acontece é uma total inversão de prioridades no governo Temer. Enquanto nos governos do PT havia uma preocupação em incentivar os estados que historicamente tiveram menos apoio do governo federal, como o Norte e o Nordeste, a gestão peemedebista subverteu essa lógica e passou a ignorar as regiões que mais cresceram nos últimos 14 anos, retirando recursos de programas importantes como o de combate a seca, cortando o Bolsa Família, acabando com o PAC.

A conivência dos ministros pernambucanos no desmonte de programas prioritários para o Nordeste segue como um capítulo à parte nesta história toda. Os quatro representantes do estado no primeiro escalão de Temer assistem a tudo calados. E, com a Hemobrás, a posição não foi diferente. Acompanharam em silêncio o golpe pelo esvaziamento da empresa praticado por Barros, colega de governo deles, em favor próprio. Emparedado pela bancada de Pernambuco, pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público Federal, o ministro da Saúde acenou com um recuo da sua estabanada decisão. Nessa hora, apareceram os ministros para, com boa dose de oportunismo, tentar capitalizar em cima disso.

A verdade é que o governo Temer teve de se curvar à articulação dos congressistas pernambucanos. No entanto, precisamos seguir atentos porque ainda existem dúvidas sobre a forma como o ministério pretende lidar com o setor do sangue no Brasil e sobre quando será finalizada a fábrica de hemoderivados de Pernambuco. Da parte da bancada pernambucana, temos uma certeza: não arredaremos o pé até que a Hemobrás esteja absolutamente livre da ofensiva golpista desse governo.

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