EDITORIAL » Fumantes passivos e os números

Publicação: 30/08/2017 03:00

Três décadas depois de se instituir o simbólico Dia Nacional de Controle ao Fumo no Brasil, uma comemoração. A população fuma muito menos, ainda que o tabagismo continue como uma epidemia global e ser causa-morte de tantos. E, se antes se computava queda histórica e gradativa no número de fumantes, agora se celebra a redução na quantidade de fumantes passivos. É uma grande novidade. As estatísticas são convincentes e confirmam o quanto uma campanha de saúde contínua e persistente pode trazer dados positivos.      

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde ontem, o país reduziu em 42% o número de fumantes passivos no ambiente familiar. O fumante passivo é o cidadão que inala fumaça de forma indireta, por meio da convivência com fumantes, e dessa maneira fica exposto às substâncias danosas contidas na fumaça do cigarro. No Brasil, o índice de fumantes passivos saiu de 42,5% para 7,3% (taxa de 2016) ao longo de oito anos, de acordo com pesquisa realizada nas 26 capitais e no Distrito Federal.

Este é um dado que tem rebatimento positivo sobre o sistema de saúde, tanto o público quanto o privado, porque o tabagismo passivo também é causador de doenças e mortes. Os impactos são de curto e longo prazos e vão desde uma irritação nos olhos até problemas respiratórios e câncer de pulmão. Cálculos do Ministério da Saúde indicam que a maior parte das 17.972 mortes de 2015 deve ser atribuída ao tabaco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que em 2013 o tabagismo foi a 3ª maior causa de morte evitável no planeta. Ficava atrás apenas do tabagismo ativo, próprios fumantes, e do consumo de álcool de forma excessiva.

Pela frente ainda há muitas batalhas a serem vencidas, a exemplo do aumento do preço do cigarro para desestimular o consumo e do fim da adição de aditivos de aromas e sabores. Existe uma briga judicial neste sentido porque se sabe que quimicamente modificado a a experimentação de jovens fica mais fácil. Há o que se fazer, mas já se nota uma sensibilização de autoridades e das famílias para se reduzir o consumo no país - o que é animador.

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