120 anos de um nacionalista

Múcio Aguiar
Presidente da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Publicação: 29/08/2017 03:00

Jornalista, advogado ensaísta, historiador, político e professor, eleito para a Academia Brasileira de Letras aos 50 anos de idade, foi presidente por um mandato do Clube Náutico Capibaribe, tendo nascido no Recife, onde estreou como jornalista colaborando com o Diario de Pernambuco. No Rio de Janeiro, onde chegou 1921, deu continuidade à carreira no Jornal do Brasil.

Apesar de não mais residir no Recife, nunca esqueceu seu Estado natal, tendo no discurso de posse, na ABL (1937), iniciado com as palavras: “No esplendor das horas culminantes, a memória ilumina, entre os fragmentos do passado, cenas, ou impressões, a que atribui o prestígio de uma significação oportuna. É assim que, de velhas passagens da adolescência, ressurge, para o prazer de minha recordação, o episódio daqueles nadadores que, nas praias de Olinda, enfrentavam e venciam o assalto das ondas inquietas”.

Durante seus 103 anos de vida, Alexandre Barbosa Lima Sobrinho exerceu três mandatos, na presidência da Associação Brasileira de Imprensa, na qual se dedicou até a sua morte, em 2000. Revelando seu dinamismo, convocou uma assembleia-geral para reformar os estatutos, regulamentou a concessão da carteira de jornalista e estabeleceu intercâmbio com as associações de imprensa dos estados, proporcionando a integração dos jornalistas em todo o país.

Sem jamais abandonar o jornalismo, Barbosa Lima Sobrinho foi deputado federal e governador de Pernambuco. Em 1950, a frente do Estado, desapropriou imóvel pertencente a Associação da Imprensa de Pernambuco para que no lugar fosse construído o Edifício AIP, sede da Associação e casa mãe dos jornalistas pernambucanos.

Em 1973 foi candidato a vice-presidente da República, na chapa liderada por Ulysses Guimarães, foi o primeiro signatário do pedido de impeachment de Fernando Collor, em 1992, tendo sempre em seus discursos a valorização do espírito nacionalista e a integridade moral na gestão pública. Participou da Campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita, que teve sucesso em 1979. A partir de 1994 participou de manifestações contrárias às privatizações de empresas públicas, política iniciada no governo Collor e ampliada no governo Fernando Henrique Cardoso. Em 1998 foi contrário à revisão constitucional que permitia a reeleição dos ocupantes de cargos executivos, por considerar prejudicial aos interesses do Brasil. Com dignidade, em 1984, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco.

Villas-Bôas Corrêa, que o conheceu em 1948, quando iniciava a carreira, escreveu num artigo: “Barbosa Lima Sobrinho foi uma das maiores figuras do século que não pôde ver terminar...”

Em tempo, a AIP manifesta suas homenagens pelos 120 anos de nascimento do grande líder que foi Barbosa Lima Sobrinho – um nacionalista que não foi somente testemunha da história do Brasil, mas foi um dos personagens, e redator da nossa identidade e memória Nacional. 

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