EDITORIAL » Os alertas de que o pior ainda está por vir

Publicação: 05/08/2017 03:00

As tragédias são anunciadas em pequenos fatos, às vezes muito tempo antes de elas acontecerem. Alguns deles estão ocorrendo no momento, na Europa. Não quer dizer que inevitavelmente levarão a algo trágico, mas são sinais preocupantes — tanto que  11 países já declararam emergência. O motivo é uma onda de calor como não se via há 14 anos. Em 2003 houve outra semelhante, aparentemente menos forte do que esta que se avizinha, e deixou a espantosa marca de 20 mil mortos.

Vejamos alguns dos fatos emblemáticos do que está acontecendo.

Ontem, nas internacionalmente célebres galerias de arte Uffizi, de Florença (Itália), o sistema de ar condicionado quebrou, tornando insuportável a permanência das pessoas lá dentro. O diretor não teve outra alternativa a não ser fechá-las.

Em Veneza e Roma, dois dos principais polos turísticos da Itália, muitas das fontes — que serviam inclusive para as pessoas se refrescarem — foram fechadas. Nestas duas cidades e em outras 24 do país, as autoridades divulgaram alertas de risco climático, em virtude de uma seca que já dura semanas.

Na Albânia, até esta sexta-feira, havia 75 incêndios florestais, o que levou o país a solicitar ajuda emergencial da União Europeia.

Há incêndios também na Bósnia, Croácia, Macedônia e Sérvia. Nestes lugares as pessoas estão sendo orientadas a ficarem em casa e beberem mais água.

Produtores europeus de uva iniciaram a colheita semanas antes do que sempre faziam nos anos anteriores, para evitar que a fruta fique “cozida no pé”. A produção de leite foi reduzida em 30% e a de azeitona e azeite caiu 50%.

A onda de calor — sugestivamente batizada de “Lúcifer” — eleva as temperaturas para mais de 40°, o que para os padrões europeus é sinônimo de risco e preocupações.  O fenômeno é mais forte em partes do sul e do leste da Europa, e afeta o abastecimento de água, a produção agrícola e as estruturas de cidade, além de causar incêndios, cortes de energia e mortes. Nos países afetados as autoridades alertam a população para que evite o sol, diminua as caminhadas longas, se hidrate com frequência e fique em locais cobertos nos horários de maior calor.

Infelizmente, não se trata de um fenômeno passageiro. De acordo com estimativas de cientistas, vai repetir-se com regularidade nos próximos anos. O motivo são as mudanças climáticas. “Nos últimos 150 anos, vimos um número relativamente limitado de eventos extremos. Mas, nos últimos 30 anos, estamos registrando mais e mais casos”, disse o especialista Omar Baddour, da Organização Meteorológica Mundial.

Não queremos ser catastróficos, mas a julgar pelo que os cientistas vêm dizendo faz tempo e pelo que a sequência de fatos provocados pela mudança climática vem mostrando há anos, o pior ainda está por vir.

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