Instituições adequadas aos novos tempos

Antonio Barbosa
Conselho e Diretoria Regional do Sesi/PE.
União Brasileira de Escritores

Publicação: 04/08/2017 03:00

“A aprovação da reforma trabalhista faz parte de um processo civilizatório e de avanço do respeito à cidadania que vai marcar nossa história assim como a abolição da escravidão e os votos femininos e dos negros”.

O preambular era indispensável para revelar a opinião do doutor Alexandre Rands – PhD em economia pela Universidade de Illinois e presidente do Diario de Pernambuco – no seu artigo “Crise política, reformas institucionais e a economia” (Diario de 15.7.17) que, no melhor estilo litterature engagée,   contamina destarte, os que acreditam, como ele, nas instituições políticas, econômicas e sociais de cunho liberal. Aliás, a temática ofertada no título nos convida a uma excursão pela história, senão, por uma tese acadêmica, per summa capita, ao afirmar que “(...) o impacto econômico da reforma trabalhista (...) criará previsibilidade para os custos empresariais”, denotando-se “a perspectiva de maior segurança da economia brasileira, gerada entre investidores estrangeiros que se sentiram mais seguros em trazer dinheiro para o Brasil”. Traduzindo em miúdos: é a tão esperada ruptura com a acomodação fisiológica e patrimonial dos interesses, ou seja, perdermos há muito tempo a noção clássica da função de representar interesses da sociedade, trocando-a pela representação classista, pelo corporativismo fascista e pela figura do líder carismático, coadjuvado por religiões e por partidos políticos de aluguel servindo à interesses difusos que alardeiam o bem com a distribuição de migalhas através de “programas sociais”, como a Bolsa Família, seu exemplo mais famoso.

As reformas das nossas instituições relacionadas com a coisa pública e com o setor privado precisam urgentemente se adequarem a vertiginosa aceleração do tempo. Passamos os últimos 70 anos com “(...) os excessos da justiça do trabalho por causa do anacronismo da legislação trabalhista”. Some-se a isso, a indiferença da sociedade brasileira – alheia aos acontecimentos que nortearam a economia mundial nos últimos 50 anos – que teimaram em desconhecer (sic) e não identificar na atividade produtiva, a conciliação do individualismo produtor de riquezas e a virtude social (vide; ‘Teoria dos Sentimentos Morais’ by, Adam Smith).

Está na hora de fazer as outras reformas.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.