EDITORIAL » Energia nuclear?

Publicação: 04/08/2017 03:00

A geração de energia nuclear volta a ser discutida em nível mundial, diante da crescente demanda de energia elétrica para atender as necessidades do mundo moderno e de uma sociedade de consumo cada vez mais exigente. Em que pese o temor da repetição de um desastre como o da usina de Fukushima, ocorrido em 2011 no Japão, a energia gerada pela fissão do átomo pode ser uma das soluções viáveis para que fontes de energia suja, como a dos combustíveis fósseis (carvão, gás e óleo), sejam definitivamente deixadas de lado.

O desafio da comunidade internacional em assegurar a oferta de energia esbarra nas cada vez maiores restrições ambientais impostas à construção de usinas geradoras. Impossível, também, prover na atualidade o consumo do planeta através das fontes renováveis, como a solar e eólica, tanto pela questão econômica como pela incapacidade de fornecimento ininterrupto.

Necessário se faz, então, a busca por fontes que assegurem segurança na oferta, redução dos gases de efeito estufa e viabilidade econômica.

Dentro dessa perspectiva, a energia nuclear pode ser uma alternativa para a solução do problema, desde que a comunidade científica encontre mecanismos capazes de garantir a segurança das populações e a preservação do meio ambiente. O certo é que o mundo continua a depender de uma matriz elétrica baseada em combustíveis fósseis, que incontestavelmente vem causando estragos ambientais em nível global, como o efeito estufa, responsável pelo aquecimento do planeta.

Além das restrições à emissão de CO2, a ampliação do número de hidrelétricas encontra forte resistência pelos danos causados a ecossistemas que abrigam uma imensa diversidade da flora e fauna. Sem contar a interferência na vida dos ribeirinhos, que são obrigadao a deixar suas propriedades e sua história para trás quando se formam grandes represas para fornecer o propulsor às turbinas das usinas.

Como o mundo não vive sem energia elétrica, e para atender as demandas do desenvolvimento econômico e social sem comprometer o meio ambiente, faz-se necessário o debate sobre o incremento na utilização da energia nuclear.

Atualmente, existem cerca de 440 reatores nucleares em atividade distribuídos por 30 países. De acordo com dados da International Energy Agency (IEA), outras 70 estão em construção, o que demonstra que a opção pela fissão do átomo já vem ocorrendo.

O que as autoridades globais devem fazer é investir pesado em pesquisas científicas para o desenvolvimento de tecnologias que garantam segurança às populações, pois provavelmente o mundo não poderá abrir mão desta fonte energética, menos poluente que os combustíveis fósseis, e que poderá contribuir para o fim do aquecimento global. Desde que não seja uma ameaça constante ao ser humano.

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