EDITORIAL » Juros devem cair ainda mais

Publicação: 28/07/2017 03:00

Pela primeira vez, desde o fim de 2013, o Brasil voltará a conviver com juros de um dígito. O Banco Central reduziu, mais uma vez, a taxa básica (Selic) em um ponto percentual, de 10,25% para 9,25% ao ano.

Em meio à grave crise política e econômica na qual o país está mergulhado, a autoridade monetária indicou uma certa previsibilidade ao empresariado, que tanto deseja investir no aumento da produção e na geração de emprego, mas é obrigado a lidar com um horizonte turvo.

Os juros poderiam estar em um patamar ainda mais baixo – especialmente quando se olha para o exército de mais de 13 milhões de desempregados –, não fosse o excesso de conservadorismo do BC. Há muitas queixas nesse sentido tanto no governo quanto no mercado. Mas é importante destacar que as portas continuam abertas para a continuidade do processo de distensão monetária. Na média, os especialistas apostam que a Selic poderá encerrar o ano em 8%.

O Brasil, a despeito de todas as crises, tem potencial para crescer. O custo do dinheiro, no entanto, acaba inibindo muitas iniciativas, pois, além de caro, o crédito é escasso. Não só. As empresas que têm recursos em caixa preferem investir em títulos públicos, que oferecem riscos baixíssimos e retorno elevado, em vez de ampliar os negócios. Sobretudo, em tempos de tanta incerteza, como os atuais. À medida que a taxa básica vai se aproximando dos níveis praticados no mundo civilizado, essas distorções podem ser corrigidas e fica aberto o caminho para a retomada do crescimento.

O movimento de baixa da Selic, iniciado em outubro de 2016, precisav ser acompanhado pelos bancos. As taxas cobradas de empresários e consumidores são abusivas. Levantamento realizado pelo BC mostra que a maior parte das instituições financeiras não repassou sequer a metade da queda dos juros básicos à clientela. Ou seja, os bancos públicos e os privados se aproveitaram do alívio promovido pela autoridade monetária para ampliar os lucros. Essa realidade tem que mudar. Acabou o tempo de ganhos extraordinários por parte do sistema financeiro. Em países civilizados, é o setor produtivo que figura na lista dos que obtêm os maiores retornos em suas operações.

O recuo da inflação abriu as portas para a queda dos juros. As estimativas apontam para um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo de 3% neste ano e no próximo. Não há nada que aponte para uma virada nessas projeções, até porque a economia está muito longe do seu potencial de expansão. Sendo assim, o BC não pode perder a oportunidade de mudar o patamar de juros no Brasil. Tudo, é claro, sem artificialismo. O país já se cansou de políticas inconsequentes e de falsas promessas.

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