O Brasil e a navegação marítima

Luiz Augusto C. Araújo *
augustopilotrecife@gmail.com

Publicação: 25/07/2017 03:00

A história da navegação marítima, inicia-se há milhares de anos pelos navios chineses, feitos de papiro, e no mediterrâneo com navios de madeira por fenícios, gregos e troianos. Essa atividade era feita com o transporte de cargas em ambas regiões da Terra. Há notícias da presença do prático desde a época dos fenícios.

Com a modernidade, a navegação a vela ganhou nova roupagem com a máquina a vapor, e a partir de então, no fim do século XIX e início do século XX, a Inglaterra disponibilizou navios com porões e máquinas movidos a carvão mineral, criando o “vapor milagroso”. O navio de então era chamado “Steamship”!

Logo foram implantadas empresas de navegação nos 4 continentes, e navios com bandeiras das nações, exploravam a atividade comercial marítima. Antes e depois da I e II Guerras mundias, os navios foram os grandes responsáveis pelo abastecimento das necessidades dos conflitos, e o transporte de tropas. As Belonaves dos países envolvidos foram de grande utilidade nos jogos de guerra, e grandes navios de passageiros foram transformados em transporte de soldados para a zona de guerra, como os italianos CONTE BIANCAMANO e CONTE GRANDE, os quais após o termino da II Guerra ainda voltaram ao transporte de passageiros.

Apesar da Inglaterra ter sido a rainha dos mares, durante décadas, a Noruega, Alemanha,  EUA, Holanda, França, Portugal, Grécia, Espanha e o Brasil, criaram as maiores Marinhas Mercantes do mundo, e as linhas de navegação foram estabelecidas em todos os oceanos e mares do globo terrestre!

Cada dia, mais tecnologia foi sendo criada no setor, e minérios e cargas a granel, liquida e sólida, passaram a ser transportadas entre continentes.

A União Soviética teve uma Marinha Mercante grande, todavia hoje deixou de existir por razões políticas, e nem a Rússia apresenta navegação importante. As nações satélites soviéticas , apesar da liberdade atual, não têm Marinha Mercante funcionando, o que restou da era soviética foram os tripulantes do leste europeu que hoje trabalham nos chamados navios “Tramps”, ou navios de terceira bandeira que, se constituem quase 80% dos navios que navegam!

O Brasil até os anos 70 tinham uma frota mercante significativa, entre as 3 maiores do mundo! Marinheiros e oficiais de náutica e máquina eram formados por duas escolas disponibilizadas pela Marinha do Brasil, em Belém e no Rio de Janeiro. Elas estão em funcionamento até hoje formando oficiais de náutica pra nada...

Com uma costa continental de quase 9.000 KM de extensão e rios navegáveis, o setor abastecia as cidades brasileiras e transportava passageiros com dia e hora programadas para todo ano. O Lloyd Brasileiro P/N ( Patrimônio Nacional) e a FRONAPE – Frota Nacional de Petroleiros, eram os maiores Armadores nacionais, com centenas de navios e cheios de brasileiros a bordo. Os ITAS e os ARAS eram responsáveis até 1960, pela ligação dos portos nacionais. ITANAJÉ, ITAIMBÓ, ITAITÉ, ARATIMBÓ, ARAQUICE, entre outros, eram da companhia de navegação costeira.

De uma hora para outra, essa nossa espetacular estrutura foi extinta, e a atividade é hoje executada por “joint venture” de empresas européias com tripulantes “arrebanhados” do leste europeu! Por falta de navios brasileiros, muitos marítimos nossos já trabalham nesses navios classificados como “TRAMPS” (Vagabundos)... É bom lembrar que essa atividade produz cerca de 45 Bilhões de dólares para esses nossos “visitantes”...

A TRANSPETRO, ex-FRONAPE , tem hoje cerca de 40 navios brasileiros, e 100 estrangeiros afretados. Em nome dessa famigerada globalização, onde os 7 grandes mandam e desmandam, ficamos à ver Navios...

A Noruega é hoje a Rainha dos mares, com a maior frota mercante do mundo em todas especialidades!

Ela já deu no Brasil de 2 x 1 no futebol! ...   

* Prático da barra Recife e Suape

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