EDITORIAL » Hemobrás precisa ser fortalecida

Publicação: 25/07/2017 03:00

Há coisas que parecem absolutamente inexplicáveis, exceto pelo fato de ser o Brasil um país dominado pelas intempéries políticas. Nos tempos atuais, elas parecem atentar muito contra os interesses de Pernambuco, ao menos no que se refere à Hemobrás – um projeto de grande relevância econômica para o estado, mas de inequívoca importância para todos os brasileiros, pois foi criada com o objetivo de suprir a demanda por produtos na área de hemoderivados e biotecnologia. Apenas pelo alcance social, deveria merecer todo o incentivo necessário. Contudo, apesar de nunca haver sido projeto questionado sob qualquer ponto de vista, desde sua criação, em 2004, passou a enfrentar a ameaça de perder fôlego depois de uma determinação, no mínimo estranha, do ministro da Saúde, Ricardo Barros. Com 70% de sua capacidade operacional em funcionamento, a fábrica havia firmado convênio com o laboratório francês LFB, em 2013, para até 2023 ter concluído todo o processo de transferência da tecnologia necessária à produção do fator 8 recombinante, seu produto mais rentável e essencial no tratamento de hemofílicos. Até agora, já foram investidos R$ 800 milhões pelo governo federal e quase R$ 200 milhões pelo governo do estado, o que ainda assim não se mostrou suficiente para Barros desistir da ideia de fazer uma fábrica no Paraná, sua base política, onde seria produzido o fator 8. Sem ele, entretanto, a fábrica pernambucana ficaria praticamente inviabilizada.

Há que se fazer ao menos uma pergunta, porque a decisão do ministro de suspender o convênio (ativo) com a empresa francesa e iniciar entendimentos visando um novo acordo, desta vez com o laboratório suíço Octapharma, para produção do fator 8 recombinante em uma unidade no Paraná (PR), gerou perplexidade. Como justificar o fato de a Hemobrás estar muito próxima de deter a tecnologia do seu produto mais rentável e Barros optar pelo recomeço de todo o processo justamente onde se situa sua base eleitoral? Ignorando a conjuntura de dificuldades enfrentadas pelo país e optando por gastos desnecessários, o ministro apenas enfraquece a Hemobrás e a tão propalada política de contenção de gastos públicos do governo. Se a bancada pernambucana está indignada e unida, mais ainda devem se mostrar os pernambucanos. Porém, medidas estão em curso: já existem solicitações ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que se posicionem o mais rapidamente possível sobre o caso.

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