EDITORIAL » Quando o ensino público faz a diferença

Publicação: 24/07/2017 03:00

Imagine chegar à escola e encontrar cartas anônimas. Nelas, textos afetuosos de estímulo aos estudos e sobre melhoria da autoestima. A ideia foi posta em prática na Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra, em Brasília Teimosa, bairro da periferia do Recife. Por trás da iniciativa, 85 moradores da comunidade ávidos por enxergarem uma melhoria no desempenho escolar dos alunos e das alunas a partir das mensagens. Deu certo.

Histórias como essa foram contadas no Diario de Pernambuco ao longo de mais de um ano, entre 6 de junho de 2016 e 26 de junho de 2017, todas as segundas-feiras, pela repórter Anamaria Nascimento. Batizado de Educa PE, o projeto é um verdadeiro acervo de ações do bem que precisa ser conhecido por todas as pessoas crédulas no poder da mobilização para mudar o entorno que habitam. E não estamos falando apenas de professores. Tão importantes quanto os mestres são os alunos, a comunidade e os pais.

Nesta segunda-feira, o Diario traz um caderno especial com oito páginas contando 22 das 52 histórias publicadas em doze meses. O material completo pode ser acessado no endereço eletrônico http://blogs.diariodepernambuco.com.br/educape. No espaço virtual, também é possível ter acesso a videorreportagens e infográficos interativos.

A riqueza do Educa PE está no incansável trabalho de garimpagem da jornalista. Além de contar com pesquisas em sites sobre o tema, Anamaria Nascimento buscou informações nas secretarias de Educação e junto aos próprios professores envolvidos em projetos de sucesso. A reportagem traz experiências de todas as regiões do estado. Um material de fôlego, capaz de fazer acordar até mesmo as pessoas mais desacreditadas na educação do país e trazer de volta sonhos a partir de experiências na escola pública.

A série de reportagens buscou experiências positivas promovidas por alunos, professores, comunidades e pais. Seu diferencial é exatamente reconhecer a necessidade de mudar o discurso sobre a educação pública.

Classificar todas as unidades de ensino municipais, estaduais ou federais como de má- qualidade, além de não ser um fato verdadeiro, termina atrapalhando a chegada de mudanças necessárias. É preciso reconhecer, em tudo, o lado positivo. Mesmo onde aparentemente só há espinhos.

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