Não podemos aceitar violência como regra

Paulo César Andrade Siqueira
Advogado e mestre em direito pela FDR/UFPE, membro-julgador do Tribunal de Ética da OAB-PE

Publicação: 14/07/2017 03:00

A rua está muito perigosa. Bandidos assaltam livremente e matam muito.
O carro está muito perigoso. Maus motoristas, de carros ou motos, violam as leis e causam acidentes impunemente. E não há polícia de contenção de crimes nas vias da cidade. As câmeras não servem para cuidar da prevenção.
Os ônibus estão muito perigosos. Assaltos e abusos, inclusive sexuais ocorrem livremente.
O centro espírita está muito perigoso. A igreja está muito perigosa. A religião está perigosa. Tem assaltos, corrupção e abusos sexuais.
A escola está muito perigosa. Tem criança matando, criança vítima de bala perdida e assalto de merenda, após e antes das compras.
Os locais de trabalho estão muito perigosos.
Os lugares de diversão estão muito perigosos. Assistir a futebol é suicídio. Há arrastões, uso indiscriminado de drogas ilícitas com consequente tráfico, mais morte e agressões na praia que não tem qualquer policiamento direto nos dias de aglomeração e maior uso da faixa de areia.
A polícia está muito perigosa. Parece não haver preparo e equipamentos adequados. Ser polícia é muito perigoso. E apavorados, andando armados fora do serviço, os policiais reagem fora da hora e para tentar sobreviver, morrem e causam a morte de outros.
A política está muito perigosa. Votar causa muito perigo. É causa do maior esquema de corrupção do mundo de todos os tempos. E o mais longo que dura até hoje. E nunca tantos poderosos estiveram soltos esperando serem presos.
Viver no Brasil nunca esteve tão perigoso. E o presidente no exterior diz quando há crise! Que as instituições estão funcionando normalmente. E é verdade, funcionando mal, como sempre estiveram.
O prefeito pouco ou nada fala. E o nosso governador, único que tem assumido aparecer para tentar minorar as crises das chuvas e da violência, ainda não nos deu confiança para pensarmos que a segurança voltará a ser normalizada.
Tempos muito difíceis, que só podem ser combatidos com inteligência, seriedade e comprometimento de todos os níveis de Governo e da sociedade.
Mas acima de tudo a solução, como dito por J.J. Rosseau ou Engels e há muito tempo, com a melhoria da educação, da condição social e política do nosso cidadão e acabar com o pernicioso uso da miséria e do miserável como escudo.
Bom lembrar Thiago de Mello, “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”.
Não custa sonhar, digo eu!!!

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