Nosso país, a mídia e a infâmia

Nagib Jorge Neto
Jornalista, escritor, bacharel em direito e Prêmio Esso Nacional de Economia

Publicação: 13/07/2017 03:00

Na fase da ação penal, início de uma maquinação, nenhum jornalista, escritor, jurista, artista ou líder popular, comentou ou lutou contra a condenação do ex-líder estudantil, político e ex-ministro José Dirceu, com base na teoria do “domínio do fato”. então distorcida por JB e contestada apenas pelo ministro Lewandovski, Dirceu cumpriu a pena e saiu de mais uma prisão (invenção de Sérgio Moro, de Curitiba), firme na defesa contra a tese maquiavélica de ser autor “intelectual” do mensalão, parte da ficção jurídica de Joaquim Barbosa (no governo Figueiredo, JB integrou a legação diplomática da Finlândia).
JB tentou obter o aval de José Dirceu para a vaga, que rejeitou o pedido, mas o ex-presidente Lula indicou por ser ele o primeiro da lista. Naquela fase o STF decidiu afastar Jackson Lago, acusado por Eros Grau - que violou a Constituição e engendrou a posse da segunda mais votada, ou seja, Roseana Sarney. Agora, infelizmente, com parecer de Alexandre de Moraes, o STF sustenta – de forma abusiva - que para afastar o governador Fernando Pimentel, de Minas Gerais, ou de qualquer estado não há necessidade de autorização do Legislativo Estadual, mas sim dos tribunais.
A história se repete como farsa com a invenção de Eros Grau, que ganhou uma cadeira na ABL com um livro dito erótico, mas que não passa de uma pífia “bronha literária”. Tristes Tempos, tristes costumes, dessa fase de infâmia sob o comando do STF e da República do Paraná, ou dos procuradores imberbes que disputam 15 segundos de fama na mídia. Na ânsia de consagrar os abusos da Lava-Jato, braço repressor do Supremo, a República do Paraná, sob a chefia de Sérgio Moro, insiste em alimentar a mídia, pautada pela Rede Globo e seus financiadores, com acusações bombásticas, que desfigura a história e as tradições do nosso país.
Para a mídia e os “ídiotas midiáticos” este país é o paraíso da corrupção, do crime, com juristas e delatores que ajudam a limpar as mazelas seculares marcantes em nossa história. Essa visão é falsa, perversa, pois este país, nosso povo, tem lutado há séculos por liberdades, direitos e garantias individuais, avanços políticos, econômicos e sociais.
No curso da história nossa gente lutou contra a escravidão, o arbítrio do império, com as revoluções libertárias em Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Maranhão, e as greves, protestos, rebeliões em que se destacam líderes políticos, juristas, trabalhadores urbanos e camponeses. Mais; este país, ao contrário da Europa, dos Estados Unidos, da Ásia e do Oriente Médio, nunca apelou para guerra de conquistas, sendo fato isolado o genocídio contra o Paraguai - a república comunista cristã dos guaranis.
Ao longo de sua história - com avanços e recuos - tem sido a nação da diversidade racial e cultural - do carnaval, do futebol, do samba, do maracatu, do bumba-meu-boi, do carimbó, da MPB, do cinema, literatura, artes plásticas e ciência; da pátria que recebe sem restrições migrantes latinos, árabes, judeus, italianos, franceses, japoneses, enfim europeus e asiáticos, sem restrições e exigências políticas, ideológicas e religiosas, homens e mulheres que há séculos tentam ou ajudam a construir, apesar das elites, nossa imagem de nação soberana, desenvolvida, vivendo em clima de paz e bem estar.    
Enfim, nosso país não deve aceitar essa campanha midiática, jurídica e parlamentar – de infâmia e farsa que contrariam o Estado de Direito, o regime democrático, as obras de artistas e intelectuais nacionalistas; e as teorias, práticas e lições de juristas como Francisco de Paula Batista, Pinto Ferreira, Orlando Gomes, Pontes de Miranda, Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva, Hermes Lima, Dalmo de Abreu Dallari, Fábio Konder Comparato e tantos outros. Ao lado destes exemplos para a geração de meados do século 20, têm destaque as teorias e decisões em respeito à lei e a justiça, as lutas e sacrifícios de revolucionários que defenderam os ideais de um país mais livre, justo e soberano, com movimentos sociais, reivindicações, greves e rebeliões desde o século 19.   

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